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Crônicas
18/04/2021 - 06h17
Dona René Barbosa
Maria Angélica de Moura Miranda
 

Numa cidade pequena como São Sebastião/SP, temos o privilégio de conviver com as professoras que nos alfabetizaram. Com o tempo elas se tornam nossas amigas, como é o caso da tia Mariza Orselli e da Maria Helena Torres. Mas hoje peço licença pra contar a minha história com professora René Barbosa.

Minha mãe tinha um bazar e conforme a época, ela e meu pai viajavam para a 25 de Março e compravam os produtos, carnaval: confetes, máscaras, fantasias, Natal: bolas, enfeites para a casa e presentes, mas no começo do ano, eles vinham com a caminhonete cheia de materiais escolares, livros, cadernos, lápis de cor, apontadores.

Certa vez minha mãe estava colocando preços nos produtos, me chamou e deu um apontador, esse apontador tinha na base de cima uma paisagem e um animal, que podia ser coelho, gato, ou cachorro. Conforme a gente mexia o apontador, o animal se movia no desenho. Eu adorei!

Quando chegou perto da hora do almoço, minha mãe foi pra casa pois tinha que acabar o almoço e me deixou no bazar com o meu irmão. Eu costumava levar a minha mala de escola para lá, pois era a hora que eu tinha pra fazer a lição de casa. Peguei uns 20 apontadores e coloquei na mala.

À tarde fui pra escola, chegando lá coloquei um apontador na carteira de cada aluna da minha classe, as crianças chegaram e ficaram malucas. Tocou o sinal, e a professora René Barbosa entrou na classe e viu aquilo.

Se aproximou da minha carteira e falou:

- Maria, a sua mãe sabe que você trouxe isso?

E eu respondi:

- Não, ela não sabe.

Ela então foi lá na frente e falou:

- Podem olhar o apontador, mas já já vou passar para recolher.

E assim ela fez, passou de carteira em carteira recolhendo os apontadores. Na hora de ir embora, ela esperou que eu arrumasse as coisas na mala e veio comigo até em casa.

Quando a minha mãe viu a Dona René comigo, ela logo perguntou:

- O que que ela andou aprontando, René??

Dona René respondeu;

- Primeiro me promete que não vai bater nela.

E depois ela contou para a minha mãe o que tinha acontecido e as duas me explicaram que eu não podia fazer isso.

Acompanhei a Dona René até seus últimos dias, e ela sempre me falava:

- Maria, lembra da história do apontador???

Lembro, Dona René, não vou te esquecer nunca!


Nota do Editor: Maria Angélica de Moura Miranda é jornalista, foi Diretora do Jornal "O CANAL" de 1986 à 1996, quando também fazia reportagens para jornais do Vale do Paraíba. Escritora e pesquisadora de literatura do Litoral Norte, realiza desde 1993 o "Encontro Regional de Autores".
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