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Opinião
15/09/2021 - 05h23
Depois da Covid, a volta das cirurgias
Dirceu Cardoso Gonçalves
 

A redução de 25,9% no número de cirurgias eletivas - aquelas onde o paciente não corre o risco de morte iminente - entre o primeiro semestre de 2019 e igual período de 2021, é o grande efeito colateral da Covid-19 no sistema de saúde brasileiro. Enquanto há dois anos realizaram-se 4.186.892 procedimentos pelo SUS (Sistema Único de Saúde), esse ano foram só 3.099.006. Os números são do Conselho Federal de Medicina e preocupam porque o normal seria aumentar e não reduzir mais de um milhão de operações. Os especialistas preocupam-se porque enquanto algumas anormalidades - hérnias, varizes e correções estéticas - podem aguardar sem grandes problemas, outras não. É o caso do câncer, problemas cardiovasculares e outros cujo retardo na solução agrava o quadro e leva a óbito.

Felizmente, a Covid-19 dá sinais de solução, quando temos boa parte da população vacinada e suprimentos para avançar rapidamente com o programa de imunização. A diminuição do número de óbitos e de infectados e, consequentemente, a baixa na ocupação dos hospitais e suas UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) são quadros positivos que não autorizam a população a relaxar, mas representam um certo alívio. Nas últimas 24 horas - fechadas na noite de domingo - registraram-se 292 mortes. Isso ainda é muito diante do desejável, mas apenas uma pequena parcela das 4 mil ocorridas nos dias de ponta da pandemia.

Com a baixa na ocupação dos hospitais e principalmente das UTIs foi possível o abrandamento das medidas de restrição à movimentação da população e ao trabalho. Os administradores hospitalares já voltam a destinar seus equipamentos para o atendimento geral, reservando apenas uma parte para a Covid. Os médicos, que haviam deixado de atender os pacientes regulares por falta de estrutura, voltam a marcar cirurgias e as autoridades da área projetam a realização de mutirões de atendimento que possam absorvem a demanda reprimida e evitar que o mal dos pacientes se agrave ainda mais.

A vacinação - que hoje já cobriu 138 milhões de brasileiros - segue normal. Por ora é importante que as pessoas continuem mantendo os cuidados de não infecção. Também se faz necessário combater a fuga da segunda dose, já registrada em grande número de pessoas que não voltaram o posto de saúde na data marcada. É importante que elas compareçam para completar o programa e, também, dentro de alguns meses, receber a terceira dose das diferentes vacinas que já começam a ser ofertadas.

É preciso compreender que a Covid-19 é uma nova forma do velho coronavírus, desta vez mais agressivo e com cepas diferentes que podem se juntar e se tornar mais fortes. A ciência ainda não conhece muitas nuances da pandemia e, como não tem tempo para só pesquisar, é obrigada a aplicar as vacinas e outros medicamentos e esperar pelos resultados. Não é coragem e nem vantagem a ninguém invocar princípios e direitos e não buscar a vacina, pois é ela que pode afugentar o mal epidêmico.

Da mesma forma que as autoridades governamentais e sanitárias têm o dever de disponibilizar a vacina à população, o povo também tem a obrigação de recebê-la porque, pelo contrário, além de ficar exposto ao problema, o indivíduo não vacinado é um agente multiplicador e perenizador da moléstia. Isso caracteriza absoluto egoísmo, falta de civilidade e, sem dúvida, falta de amor à própria vida...


Nota do Editor: Dirceu Cardoso Gonçalves é tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo e dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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