20/03/2026  18h04
· Guia 2026     · O Guaruçá     · Cartões-postais     · Webmail     · Ubatuba            · · ·
O Guaruçá - Informação e Cultura
O GUARUÇÁ Índice d'O Guaruçá Colunistas SEÇÕES SERVIÇOS Biorritmo Busca n'O Guaruçá Expediente Home d'O Guaruçá
Acesso ao Sistema
Login
Senha

« Cadastro Gratuito »
SEÇÃO
Medicina e Saúde
20/06/2004 - 15h07
Um antídoto contra o vampirismo na saúde
Ulysses Fagundes Neto
 

O paciente internado na UTI pode até necessitar de sangue em caráter emergencial, mas o sistema que processa a hemoglobina necessária à vida entrou em colapso. É assim, comparativamente, que assistimos o encadear de uma nova onda de evasão de recursos vitais pelo hábil e insidioso caminho da corrupção na estrutura do Estado.

A malha de desvios que, segundo as denúncias, envolve assessores do Ministério da Saúde e parece se espraiar por estados e prefeituras, conforme apontam os sucessivos desdobramentos da Operação Vampiro, sugere claramente o esgotamento de um modelo: o de gestão das compras, cuja finalidade, até onde alcança nosso vão idealismo, seria dotar as instituições públicas de saúde de condições adequadas para assistir à população. Nem me refiro à assistência desejada em um cenário de infra-estrutura e remuneração dos prestadores de serviços compatíveis com os custos do atendimento necessário ao enfrentamento das doenças, mas à observação dos preceitos administrativos de ética e lisura no gerenciamento do dinheiro público.

Enquanto prossegue a devassa policial, a discussão concentra-se na identificação de lobistas, funcionários "malucos" envolvidos no propinato e outros não tão malucos, que chefiavam esquemas de fazer corar mafiosos que primaram, no passado, por alguma norma de conduta. Sabemos, hoje, que a estrutura de compras está inteiramente contaminada, imune a qualquer intervenção que apenas afaste uma ou várias dúzias de lobistas e fraudadores ou que confisque bens espúrios comprados com o dinheiro da saúde. O modelo está definitivamente esgotado. É preciso ter a coragem e a determinação política para enterrá-lo e sem as honras de Estado.

A universidade pública em nosso país responde por uma cota superlativa de 90% da produção científica. Neste universo, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) seguramente é responsável por grande parte da produção cientifica na área da saúde do país e isso foi conquistado às custas de financiamento do Estado. Financiamento com entrada, registro e destinação clara, embora muito freqüentemente insuficiente para fazer face à enorme demanda.

Temos orgulho dessa liderança. Universidade significa soberania, crescimento auto-sustentado e maior poder de intervenção em uma realidade desfavorável, assim como desenvolvimento de tecnologia e produção de conhecimento. Os países desenvolvidos têm uma grande infra-estrutura universitária porque produzem sua própria tecnologia. E extraem deste conhecimento as bases da inserção no cenário dinâmico, competitivo e irreversível da economia globalizada.

Potencializar os recursos de que dispomos e, coerentemente, inserir a universidade na era digital, representa, entre outras opções, adotar uma tecnologia mais moderna para gerir compras de insumos o, que tem se revelado, já em seu segundo ano de vigência na Unifesp, um eficiente antídoto anticorrupção.

O processo eletrônico de compras de medicamentos e materiais médicos pela Internet foi uma decisão motivada pela busca de total transparência na gestão das compras. Transparência facilmente auditável, permitindo o controle das operações por período mínimo determinado.

Hoje temos convicção do acerto de nossa decisão. No primeiro ano, obtivemos economia da ordem de 20%, graças, em grande parte, ao golpe certeiro na impulsividade e no "vampirismo", que poderiam roubar-nos sangue vital dos recursos disponíveis para atender pacientes e formar médicos que serão representantes da excelência na prática clínica e hospitalar.

O antídoto existe e é preciso lançar mão dele em escala nacional para tirar definitivamente o paciente da UTI. A saúde (e o bolso) dos brasileiros agradece.


Nota do Editor: Ulysses Fagundes Neto é reitor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

PUBLICIDADE
ÚLTIMAS PUBLICAÇÕES SOBRE "MEDICINA E SAÚDE"Índice das publicações sobre "MEDICINA E SAÚDE"
26/12/2022 - 07h45 Excesso de tecnologia pode afetar a saúde mental
24/12/2022 - 06h33 Depressão é um perigo silencioso
23/12/2022 - 05h58 Febre alta e dor no corpo?
21/12/2022 - 06h08 8 passos de primeiros socorros do infarto
10/12/2022 - 05h22 Casos de dengue aumentam 180,5% em um ano
03/12/2022 - 05h39 6 mitos sobre a saúde ocular infantil
· FALE CONOSCO · ANUNCIE AQUI · TERMOS DE USO ·
Copyright © 1998-2026, UbaWeb. Direitos Reservados.