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O atendimento médico qualificado pode superar as dificuldades causadas pela deficiência auditiva. Já os pacientes com danos cerebrais progridem pouco no aprendizado.
O tratamento médico e boas condições de socialização podem ajudar as crianças com deficiência auditiva a desenvolverem a fala perfeitamente. Pacientes encaminhados ao Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP entre 1992 e 1996 comprovaram a potencialidade do atendimento adequado, em retorno recente ao Hospital. "Todos as crianças que haviam sido diagnosticadas com deficiência auditiva e que depois receberam acompanhamento médico satisfatório progrediram no aprendizado da fala. Muitos desses pacientes agora falam perfeitamente, mas para isso tiveram diagnóstico precoce, ajuda de fonoaudiólogos e de aparelhos de audição", diz o otorrinolaringologista Rodrigo Sousa Rezende. Em sua tese de mestrado, defendida na FMRP, Rezende localizou as pessoas que haviam sido atendidas no HC por apresentarem problemas relacionados à fala, como a demora para desenvolvê-la, o retrocesso no aprendizado, má articulação das palavras ou trocas de fonemas. O pesquisador solicitou que retornassem ao Hospital, para avaliar a evolução de seus quadros clínicos. De acordo com os diagnósticos feitos na ocasião, a surdez - causada por diferentes fatores e com intensidades variadas - foi o principal motivo de dificuldades no desenvolvimento da fala. Outras causas foram a resistência específica para aprender a falar, as doenças mentais, como paralisia cerebral, retardo mental e autismo e ainda as privações sociais. Segundo o pesquisador, os pacientes que apresentaram comprometimentos neurológicos graves, como retardo mental e autismo, tiveram desenvolvimento muito debilitado, mesmo com o tratamento. "Infelizmente ainda não podemos alimentar as esperanças dos pais destas crianças, tratando o aprendizado da fala como algo provável. No entanto, um ambiente familiar saudável, os estímulos e o apoio às mínimas conquistas dos portadores de deficiência mental trazem benefícios evidentes a eles". O trabalho foi feito a partir dos prontuários de 58 pacientes atendidos no HC. Muitos eram moradores de locais distantes e não receberam tratamento prolongado em Ribeirão Preto, mas apenas foram encaminhadas pelos serviços de saúde de suas cidades, no início do tratamento. O retorno de 50% dos pacientes ao Hospital foi considerado alto e suficiente. Segundo o autor, esta é a primeira pesquisa retrospectiva sobre o desenvolvimento de portadores de distúrbios de fala feita no Brasil.
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