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Crônicas
22/03/2004 - 11h51
Educar
Lemar Gonçalves
 

Sou um obcecado por esse tema. A palavra obcecado parece forte, mas é como me sinto cada sinto cada vez mais. Estou convencido, aos 72, que aí reside a salvação do homem: educação. Não, é claro, a aquisição de conhecimentos ou o saber comportar-se em sociedade. Falo de Educar, o processo de conduzir o desenvolvimento humano. Vou aos dicionários ver o significado, a etimologia da palavra, mas acabo ficando com a abordagem de Madre Cristina no seu livro "Educando Nossos Filhos": educar (do latim "ducere") quer dizer "conduzir" para obter determinados fins. Quem conduz? Os pais, numa etapa inicial, e a sociedade como um todo, posteriormente. Conduzir é ir na frente, isto é, mostrar por onde e como se anda, ou seja, dar o exemplo. Essa é, para mim, a palavra chave da educação: exemplo. Quando você educa uma criança "falando" como deve ser seu comportamento, você está descrevendo uma cena. Quando você age da forma que você quer que a criança aja, você está mostrando a ela como agir. Ela fatalmente o imitará, se deixará ser conduzida, educada. Se você age de uma forma e cobra da criança um comportamento diferente, você a está "educando para o faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". Ela, criança, ficará chocada e aturdida e acabará perdendo o que mais precisa ter nos pais: confiança. Irá, com o tempo, buscar essa confiança em outro personagem, provavelmente o colega mais velho de sua "turma" ou o mais "experiente", que passará a ser o seu "educador", o seu condutor.

 

Num desses domingos assistindo ao "Fantástico", vi, estarrecido, o resultado de uma pesquisa feita por telefone (da qual não pude participar porque o telefone indicado para minha resposta só dava ocupado). Perguntava-se em qual dos três grupos o telespectador se colocava: 1) a palmada é essencial à boa educação, 25% Achavam que sim; 2) há ocasiões em que a palmada é necessária, 50%; 3) a palmada não é fator de educação, 25%. Para minha tristeza. Portanto 75% dos "educadores" consideram que a palmada pode ser educativa.

 

O que a criança "sente" quando recebe uma palmada é que ela foi agredida, mais do que isso, covardemente agredida por que ela não tem condições de revidar. Como "exemplo" de educação não pode haver pior: usar a "violência" quando outros argumentos falharem, de preferência, contra quem não tem condições de revidar. Não há porque estranharmos que a violência tome conta de nossa sociedade. Nós agimos com violência quando nossos interesses são contrariados. Participamos de passeatas pela paz mundial enquanto damos um tabefe no nosso filho que nos "enche" pedindo insistentemente um sorvete.

 

A paz começa em casa. A criança não precisa de pancada. Precisa de carinho, compreensão, energia em muitos casos, limites sempre. A pancada é o pior exemplo e, portanto, infinitamente deseducativa.

 

O ser humano vem ao mundo em total desamparo. Não sobrevive se não for cuidado por adultos. Nasce incompleto e só amadurece depois de muitos anos, por isso é tão perfeito.

 

Tenho sempre em mente a cena das tartaruguinhas saindo dos ovos e correndo para o mar, sem mãe ou pai, prontas, maduras para enfrentar a vida. Não nascemos tartarugas. Graças a Deus nossa existência é muito mais rica em sentimentos e criatividade. Mas por isso mesmo temos que "amadurecer" por muito mais tempo para que nossos neurônios possam operar em toda a plenitude. E como o ventre de nossas mães não nos agüentaria todos esses anos, nascemos "imaturos". Agora pergunto: Você teria coragem de dar um beliscão ou uma palmada em seu filho antes dele nascer? É mais ou menos o que acontece quando batemos numa criança. Ela faz a travessura ou desobediência por que ainda não está madura. Teve que sair do ventre porque não cabia mais lá dentro. Bater numa criança é mais ou menos como chutar de volta o feto toda vez que ele der um chute na barriga da mãe.

 

Nascemos para sermos bons, felizes, alegres. Para celebrar a vida, esse dom maravilhoso que, no ser humano, alcança sua manifestação mais completa. Sejamos felizes fazendo nossas crianças serem felizes. Educando pelo exemplo.

 

Sou Lemar. Já fui muita coisa. Estudante, militar, alto executivo de multinacional, empresário. Hoje sou "avô". E agradeço a Deus o privilégio de me ter dado, até agora (não perco a esperança) três netinhas lindas, maravilhosas. E, principalmente, o poder continuar, através delas, aprendendo. E da forma mais gostosa: com amor.

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