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Procedimento foi realizado por médicos da Faculdade de Medicina do ABC e, até então, só havia sido feito nos EUA.
A Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), em parceria com a Prefeitura de São Bernardo do Campo, realizou no dia 27 de junho (domingo) a primeira cirurgia fetal do País no modo "céu aberto" para a retirada de lobo pulmonar. Até então o procedimento só havia sido realizado nos Estados Unidos, onde foram operados somente 13 casos, oito com sucesso e cinco mortes. Cirurgia: O procedimento cirúrgico foi realizado no Hospital Municipal Universitário de São Bernardo do Campo (HMU-SBC) e teve duração de duas horas. A equipe de Medicina Fetal da FMABC, comandada pelo Dr Guilherme Loureiro Fernandes e com apoio de dois professores da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), ficou responsável pela abertura do útero materno e pela exposição do feto. Nesse momento, a equipe de Cirurgia Pediátrica da Faculdade de Medicina do ABC abriu o tórax fetal e retirou a parte doente do pulmão. O tórax foi fechado e o feto recolocado no útero, que foi fechado pela equipe de Medicina Fetal. Após a cirurgia, a gestante foi encaminhada para uma Unidade de Terapia Intensiva Materno Fetal, montada especificamente para esse caso, onde existe toda aparelhagem técnica necessária e o acompanhamento de profissionais durante 24 horas. Todo o procedimento só foi viabilizado após a liberação de R$ 15 mil da Prefeitura de São Bernardo do Campo para a compra de equipamentos (muitos importados) e materiais não habituais e que não estavam disponíveis no Hospital. Doença: A doença aparece em decorrência de uma alteração na formação do lobo pulmonar do feto, responsável pela formação de uma grande massa composta de pequenos cistos. Essa massa desloca o coração e pode levar o feto à morte, visto que seu coração não consegue mais bombear o sangue e por estar comprimido, fora de seu local adequado. Essa "mal formação torácica" leva o feto a um inchaço generalizado, conhecido como hidropsia, seguido, geralmente, pela morte. "A doença não é comum, mas a mortalidade é de quase 100% para os casos com hidropsia. Já a cirurgia é de alta complexidade, alto risco e de conhecimento técnico muito aprofundado. Por isso, até hoje, somente os EUA haviam realizado esse procedimento", comentou o chefe do setor de Cirurgia Pediátrica da FMABC, Dr Pedro Munõz Fernandes. Paciente: A gestante veio encaminhada da rede básica municipal de saúde ao HMU-SBC, há cerca de um mês e meio, após diagnosticado um possível problema com o feto. O caso foi acompanhado pelo setor de Medicina Fetal, até que confirmada a necessidade da cirurgia e, entre a 25ª e a 26ª semana de gestação, foi realizada a cirurgia. Os primeiros sinais da hidropsia são o acúmulo de líquido dentro do abdome do feto e ao redor do coração, ambos presentes no feto operado no HMU-SBC. A mãe e o bebê continuam na Unidade de Terapia Intensiva Materno Fetal e devem permanecer até o final da próxima semana, com acompanhamento integral da equipe de Medicina Fetal da FMABC.
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