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Opinião
20/07/2004 - 21h00
10 milhões de empregos: depende do presidente
José Augusto Viana Neto
 

Os recursos existem, o governo sabe onde estão, e precisa apenas redirecioná-los. Basta usar a caneta. Só o presidente pode. E deve.

Medidas paliativas são inúteis. Como a da CEF, ao criar financiamentos para reforma e construção a partir de R$ 10 mil. Boa iniciativa para criar empregos temporários: acabou a obra, acabou o emprego. Ótima para a indústria e comércio de material de construção, a fim de desencalhar estoques.

Surpreende a teimosa resistência em adotar planos preestabelecidos pelo próprio governo. E não se trata de teoria, mas de prática comprovada.

Quando finalmente, em 1997, começou para valer o financiamento ao comprador, sem discriminação aos imóveis usados, 1.500.000 de imóveis foram financiados, 95% deles no valor de até R$ 25 mil. Provou-se que a compra do primeiro imóvel irriga a base do mercado e gera um efeito multiplicador de até seis vezes - e em alguma fase, inevitavelmente, está um imóvel novo, no mínimo.

Até 2001, o mercado se beneficiou com este ciclo de compra e venda, que começou a decrescer rapidamente quando, ainda no governo anterior, as regras foram mudadas e a CEF e instituições particulares começaram a exigir 50% de entrada para financiar o restante, ao mesmo tempo em que se criavam planos esquisitos para os imóveis novos, discriminando-se os usados.

O motor parou. Mesmo com pequena entrada, já havia dificuldades à época. O desemprego crescente atemorizava o comprador: gastando suas economias e utilizando o FGTS, se perdesse o emprego, perdia tudo. Muitos optaram e, mais do que nunca, continuam optando em pagar o aluguel a correr o risco.

Mais do que nunca porque, agora, já entramos no segundo estágio do desemprego: a troca dos desempregados. Desesperados, com razão, aceitam metade do salário para sobreviver. Atualmente, há novos empregados empobrecidos e novos desempregados.

Uma pesquisa pode confirmar o que todo mundo já sabe. A política econômica não deve mudar. Há até quem elogie - geralmente, beneficiários de juros altos e usuários de mão-de-obra barata. E quem depende deles.

Antes de entrarmos no terceiro estágio de redução de salários (hoje, inevitável), é hora de o governo colocar em prática a única solução para gerar empregos ao mesmo tempo em que atende a um item de sobrevivência: a moradia. Saúde e alimentação são os outros dois, com a segurança pessoal já correndo por fora.

Há, ao menos, seis milhões de inquilinos de baixa renda no País, que podem trocar o aluguel pela prestação da casa própria - e o farão, se puderem comprar sem entrada. Não precisam comprovar renda, porque já o fazem pagando aluguel em dia.

Também não há necessidade de muito ardil na avaliação, porque, com dinheiro na mão, comprador algum paga mais do que o produto vale. E as estatísticas mostram que a variação entre a avaliação da instituição financeira e o valor da compra não ultrapassa 2%.

Se apenas metade desses inquilinos - três milhões de famílias, 12 milhões de pessoas - for contemplada com um financiamento em torno de R$ 25 mil, serão gerados 18 milhões de operações imobiliárias. E vale lembrar que muitos favelados pagam aluguel idêntico ao do imóvel convencional, e lá estão por simples falta de fiador.

Se nessas operações imobiliárias apenas uma contemplar um imóvel novo, em qualquer estágio, calculando por baixo, e considerando o mercado periférico da indústria imobiliária, teremos os 10 milhões de empregos prometidos.

Financiar essa gente significa "emprestar", não "dar", R$ 75 bilhões. Parece muito, mas não é. O dinheiro não sai do País, uma vez que 95% dos vendedores vão comprar outro imóvel. Não se despende nenhum centavo de importação, e resulta em geração de impostos diretos e indiretos. Há ativação da indústria da construção civil e de seus agregados. Promove-se a desfavelização, há aumento de salubridade, segurança e dignidade.

Aplicar esse dinheiro até o final do governo para obter tudo isso, é troco. Historicamente, a saída para todas as grandes crises foi a habitação. No Brasil, não - enquanto perdurar, com o perdão da palavra, a burrice de se repetir: "Só imóveis novos geram empregos". Sairemos da crise quando isso for substituído pela lógica: "Só a geração de consumidores de forma contínua cria empregos duradouros".

Quando existem compradores, sempre há quem produza com capital próprio. Financiar produção para gerar empregos é a geração de empregos mais cara e curta que existe.

Pode existir uma linha de crédito para a produção, totalmente desvinculada do comprador. Construiu, vendeu, recebeu, pagou a dívida. Produziu mal e caro, arca com o prejuízo, como qualquer outro mortal em qualquer atividade comercial no mundo inteiro.

Não faltam especialistas e técnicos de primeira linha, no próprio governo, que conheçam essa tese e com ela concordem. Mas, infelizmente, não têm poder de fogo para colocá-la em prática. Isto, só o presidente Lula pode fazer.


Nota do Editor: José Augusto Viana Neto é presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis - CRECI-SP.

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