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Certa vez o filósofo Eric Voegelin foi interrogado por um jornalista se ele era um Cristão e esse, de maneira lacônica lhe respondeu: "eu me esforço". Ser um Cristão de fato e não apenas de nome não é uma tarefa fácil de ser realizada tamanho é o exemplo que nos foi deixado por Cristo Jesus. Mas ele, não diz ser uma tarefa ingrata, mas apenas que se esforça para atingir as expectativas exigidas pela sua confissão religiosa. Não afirma ele, Voegelin, a bondade encarnada e muito menos ser algo perfeito, mas apenas que se esforça em seguir o exemplo de perfeição dada pelo Ungido. Agora, no que tange a "moralidade" socialista a coisa fica bem as avessas. Exemplo do que afirmo, foi uma carta que recebi de um leitor devido ao meu libelo ENTRE O PAPA E OS APÓSTOLOS DOS CÉSARES, que se encontra disponível em minha home page. Começava a referida carta com a frase capital: "Como é difícil ser socialista"! E na seqüência soltou sua indignação por não constar em meu artigo os militares, os políticos tacanhos de nossa pátria e o atual presidente dos USA como pessoas que deveriam pedir perdão para a humanidade pelos seus atos e, depois de dito isso, lá estava a velha volta elíptica: "mas concordo que Fidel e cia. deveriam pedir perdão". Espera aí. Quer dizer que devemos nos portar como crianças egocêntricas, que só corrigem suas traquinagens sombrias se o outro também o fizer? É a isso que chamamos de dignidade? É a isso que passou a significar humildade em nosso maculado vernáculo? Sinto muito, mas após essa carta, firmo mais ainda minhas convicções expostas no referido artigo. Aí tenho de discordar do amigo. É muito fácil ser socialista. Basta afirmar e acreditar que todo o mundo está errado, que o mundo é um saco de gatos enfadonhos e que apenas eles, os socialistas, são a mão angelical nesse mundo de perplexidades e que, toda atrocidade que venha a ser realizada ou acoberta por elas são aceitáveis por terem sido realizadas em nome de uma boa causa e, com boa vontade. E, explico para o leitor o porque de mencionar apenas os crimes comunistas e não, por exemplo os da Ditadura militar. Essa última em seus 20 anos de autoritarismo matou aproximadamente 3000 pessoas diretamente que em sua maioria estavam envolvidas diretamente com a esquerda armada a qual defendiam um modelo de nação para o Brasil aos moldes Cubano-soviético. Por sua deixa, o regime cubano matou 14.000; a China 63.000.000; a ex-URSS 61.000.000; os movimentos comunistas na América Latina 100.000; no Camboja 1.000.000 e por aí vai a conta macabra. Detalhe: todas essas vidas foram tiradas de cidadãos inocentes, assassinados pelos seus próprios governantes para poderem realizar os seus projetos megalomaníacos de uma sociedade melhor e mais justa. E pior, pessoas que acreditavam nesse projeto e que viviam e vivem em um país como o nosso defendiam e mesmo diziam que nada disso estava a acontecer lá. E mais, queriam e muitos querem um modelo deste para nós, por acreditarem ser mais justo. Que Javé nos defenda dessa "justiça". E tem mais: praticamente todos os que foram atingidos diretamente pela ditadura militar, que tiveram familiares mortos ou que foram sumariamente perseguidos hoje são indenizados de maneira polpuda desde o governo passado, coisa que, duvido que seja algum dia realizado por um país socialista para com os parentes de suas infindáveis vítimas. Exemplo disso é o Afeganistão que teve sua nação e sua cultura dizimada desde a ocupação iniciada em 1979 pelo Império Soviético e que agora, após a ocupação estadunidense começa a recuperar parte de seu esplendor perdido. Inclusive agora as mulheres podem usar tranqüilamente esmalte em suas unhas sem que seus dedos sejam amputados pelo crime mortal de vaidade. Por fim, e, pensando bem, creio que não apenas Castros da vida deveriam pedir perdão para a humanidade seguindo o humilde exemplo do Sucessor de São Pedro, mas também todo militante ou ex-militante socialista frente as atrocidades cometidas em nome desta utopia mórbida que tanto acreditam e defendem ser o paraíso (cercado para que ninguém fuja dele, é claro) e que, de maneira geral, gerou apenas desgraças para aqueles que se diziam pretender libertar dos males deste mundo caótico.
Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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