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Medicina e Saúde
22/07/2004 - 12h03
Parar de fumar sem engordar: um desafio
 
 

Grande maioria dos pacientes que querem parar de fumar tem medo de engordar depois. Especialistas mostram como essas pessoas podem evitar os dois ou três quilos a mais que os fumantes em tratamento normalmente ganham ao parar de fumar. Quando não estão sendo acompanhados por especialistas, ex-tabagistas podem engordar até mais.

Nove em cada dez mulheres que desejam parar de fumar têm medo de engordar depois que conseguirem se livrar do vício. No caso dos homens, a proporção é de cinco em cada dez pacientes. A estimativa foi feita pelas especialistas Analice Gigliotti e Elizabeth Carneiro, diretoras da ClifAd - Clínica do Fumante, Alcoolista e Dependente de Outras Drogas, do Rio de Janeiro, com base no tratamento anti-tabagismo de 150 pessoas de ambos os sexos.

"O medo de engordar é um problema sério no tratamento do tabagismo. Há mulheres que nos procuram querendo parar de fumar, mas que vão logo dizendo: se é pra engordar depois, prefiro nem largar o cigarro. A possibilidade de ganhar uns quilos extras torna-se uma barreira. E existem também casos de pacientes que usam a desculpa de que estão engordando para abandonar o tratamento ou ter recaídas", diz a psicóloga Elizabeth Carneiro.

Quando acompanhadas por especialistas, as pessoas engordam, em média, de dois a três quilos ao parar de fumar. Quando não estão, podem engordar até mais. "Todo fumante tem dois a três quilos a menos mesmo, porque a nicotina acelera o metabolismo da pessoa e, conseqüentemente, a queima de calorias. Pode parecer estranho, mas a verdade é que o fumante está abaixo do peso normal. O cigarro é um anorexígeno, e muitos o usam para não comer", conta Elizabeth Carneiro.

Para a psiquiatra Analice Gigliotti, ajudar uma pessoa a parar de fumar e ao mesmo tempo exigir que ela faça dieta de restrição calórica é inviável. "É querer demais de um paciente que já vai ter de enfrentar a abstinência da nicotina. As duas coisas juntas não funcionam porque exigem um investimento energético e psicológico muito grande do paciente. Fazer dieta não é lá muito agradável e, às vezes, dá um mal humor danado. Ao tratar o tabagismo, a pessoa também pode ficar irritada, deprimida. Essa dupla restrição condenaria o tratamento ao fracasso", explica.

Como então fazer para parar de fumar e não engordar? Na ClifAd, as duas especialistas costumam dividir os tabagistas "encanados com os quilos a mais" em dois grupos. "Na maioria dos casos, em parceria com nutricionistas ou endocrinologistas, indicamos um programa alimentar de restrição calórica, que deve ser iniciado após três meses de abstinência do cigarro. Isso porque o maior número de recaídas ocorre nesses três primeiros meses do tratamento. Assim, o paciente pode perfeitamente perder os quilos adquiridos durante o período", diz Elizabeth Carneiro.

Nos casos mais complicados, em que a "neura" de engordar é muito grande, elas indicam o programa antes de se atacar o vício do cigarro. "Passamos a ter uma faixa de manobra quando a pessoa emagrece os dois ou três quilos primeiro. Depois ela pode pensar em parar de fumar sem que a ameaça dos quilos a mais atrapalhe o tratamento", diz Analice Gigliotti. Segundo ela, alguns medicamentos usados contra o tabagismo também podem ter efeito na compulsão alimentar. "Além disso, no tratamento o paciente aprende que há outros recursos para substituir a nicotina que não a comida. Botar algo na boca é um comportamento compulsivo típico do fumante", explica.

O duplo tratamento - parar de fumar e perder alguns quilos - acaba sendo bastante positivo para a saúde. "Cerca de 15% dos nossos pacientes chegam aqui acima do peso ideal e em torno de 25% com problemas de hipertensão. Um obeso, fumante e hipertenso é uma bomba nuclear prestes a explodir - é como se um individuo atravessasse a Avenida Brasil de olhos vendados. Já o fumante com colesterol alto é como se um velhinho atravessasse a mesma avenida de olhos abertos. E ser apenas fumante é como se um adulto fizesse a travessia sem usar a passarela. Na verdade, as três opções são amplamente desaconselháveis: uma é morte certa, a outra é quase certa e a terceira, bem provável. Melhor não brincar com fogo", conclui, sem trocadilhos.

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