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Estamos quase no fim de julho e a impressão é que não há necessidade de colocar as campanhas nas ruas. É unânime o clima de já ganhou que permeia as cabeças dos candidatos. Para isso contribui o ambiente criado em reuniões e mais reuniões a portas fechadas, onde só estão presentes simpatizantes e correligionários. Nesse momento é possível desenhar utopias no ar, criar planos mirabolantes e soluções mágicas para os problemas da cidade. Surge então a ilusão da vitória fácil. Ainda não houve tempo para que as pessoas diretamente envolvidas no processo eleitoral se conscientizassem que a realidade é diferente, para não dizer oposta ao clima amistoso dos comitês. Até agora não se verificou crescimento de intenção de voto em torno de um nome, a eleição está totalmente indefinida e tudo pode acontecer. Nas pesquisas a que tivemos acesso, pouco havia de conclusivo. Elas apontam algumas tendências, porém com o grande número de indecisos, não são conclusivas. Até agora, sem ter havido apresentação de propostas, sem ter sido exibido qualquer esboço de plano de ação, a intenção de voto está baseada em interesses pessoais ou simpatia, sem maiores critérios de avaliação. Sabemos muito bem que à medida que o debate for acontecendo deverá despontar algum favorito, isso vai depender da capacidade de colocar as idéias de forma clara. Nesta eleição os votos serão dados com seletividade nunca vista em eleições passadas. A situação econômica - crítica - em que o país se encontra vai forçar uma tomada de posição por parte dos eleitores. Queremos continuar como estamos ou é melhor mudar? Em caso de mudança, o que está sendo oferecido como alternativa? Isso deve estar presente nas cabeças dos postulantes, quando estiverem nas ruas vendendo seu peixe. O eleitor está cansado de promessas vãs, de demagogia barata, de falta de objetividade. Quem apresentar criatividade nas propostas terá mais chance de saborear as batatas.
Nota do Editor: Sidney Borges é jornalista e trabalhou na Rede Globo, Rede Record, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo (Suplemento Marinha Mercante) Revista Voar, Revista Ícaro etc. Atualmente colabora com: O Guaruçá, Correio do Litoral, Observatório da Imprensa e Caros Amigos (sites); Lojas Murray, Sidney Borges e Ubatuba Víbora (blogs).
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