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Há uma cidade no interior do Estado de São Paulo, de médio porte, que era administrada por um prefeito corrupto. Todos na cidade sabiam dos atos criminosos praticados pelo tal meliante. Todos sabiam de sua crescente fortuna. Todos, infelizmente, faziam vistas grossas e sabiam que, alguns anos atrás, sua família estava quebradinha, quebradinha! Seu séqüito formava verdadeira quadrilha. Escondia-se debaixo de instituições governamentais que acabam, sem saber, acobertando atos ilegais do tal bando. Era uma vergonha para aquela cidade. Os atos ilegais praticados pelo alcaide iam desde o empreguismo de parentes e amigos correligionários, formando um verdadeiro batalhão de funcionários fantasmas, até favorecimentos a empresas de prestação de serviços, de loteamentos, em detrimento da transparência na administração da coisa pública. A estratégia usual para burlar a legalidade era utilizar-se de empresas inexistentes, contabilizando notas frias em que os serviços nunca eram executados ou os produtos discriminados jamais entregues. Outro método utilizado pela quadrilha era superfaturar os serviços prestados. Principalmente na cobrança das tarifas nos transportes públicos ou no recolhimento do lixo da cidade, que acabam voltando aos bolsos dos meliantes, às vezes com complacência da própria Câmara Municipal. Sempre voltava em dinheiro vivo, para não deixar rastro. Como ganância e burrice sempre andam juntas, acabaram comprando propriedades em nomes de parentes ou assessores, o que facilitou o rastreamento pelo Ministério Público e pela Receita Federal. Outra forma empregada pelo bando para apropriar-se do dinheiro público, era utilizar-se de várias construtoras com preços combinados para participarem de licitações na construção de casas populares ou outras obras públicas e sempre ganhar a empresa amiga, com o lucro sendo dividido entre todos. Escondiam-se debaixo de aprovação de suas contas administrativas pelo Tribunal de Contas do Estado. Ocorre, todavia, que o Tribunal apenas verifica os aspectos formais das contas públicas, não entra no mérito dos gastos, acabando por passar verdadeiros certificados de legalidade para atos de improbidade administrativa. Cabe ao povo não se deixar enganar pela politicagem safada. Apenas para exemplificar: para cada 500 assessores políticos ou empregados fantasmas, ao custo de R$ 3.000,00 cada um por mês e R$ 18.000.000,00 ao ano todo, poder-se-ia construir 1.200 casas populares anualmente, com todo esse dinheiro. Seria uma cidade sem favelas em alguns anos. Com melhor qualidade de vida para todos. Outro crime praticado pelo referido prefeito, junto com seu secretário educacional, era a compra de mantimentos para as merendas das crianças das escolas públicas. Sempre com superfaturamento. O alcaide e seus asseclas jamais imaginavam que um grupo de pessoas resolvesse acabar com a ladroeira toda. Acabar com toda aquela corrupção. Capitaneado por cidadãos livres e honestos, e após um longo e exemplar trabalho, com a ajuda da população e do Ministério Público, conseguiram acabar com os atos de corrupção do prefeito daquela cidade. Legalmente, foi colocado para correr! Hoje, vê o sol nascer quadrado! O exemplo foi tão digno e a população ficou tão agradecida, que o grupo resolver editar uma cartilha que chamou de "O COMBATE A CORRUPÇÃO NAS PREFEITURAS DO BRASIL". Estamos falando de Ribeirão Bonito, onde a população deu mostras de maturidade política e se livrou de um bandido travestido de prefeito municipal. Parabéns aos cidadãos daquela cidade, que deram um grande exemplo para todo o Brasil!
Nota do Editor: Douglas Mondo é advogado, escritor e presidente da Tv Japi Mais.
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