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Opinião
26/07/2004 - 12h04
O bestiário eletivo
Dartagnan da Silva Zanela
 
"Sê senhor da tua vontade e escravo de tua consciência". (Humberto de Campos)

Provavelmente o momento mais complicado e ao mesmo tempo mais cômico nas eleições para os postos de poder a nível municipal é justamente quanto passam a se manifestar os candidatos a ocuparem uma cadeira na Casa de Leis, na Câmara municipal de Vereadores de uma cidade.

Alex de Tocqueville já havia a muito nos advertido do fato que as pessoas mais incapazes para as várias tarefas junto a sociedade acabam por procurar uma ocupação junto a um cargo de mando público. No caso da terra brasilis, chega a ser digno de constar em um livro de absurdos os tipos (des) humanos ou, demasiadamente, pateticamente humanos que se candidatam ao cargo de Edil de uma cidade, qualquer que seja ela.

Mais cômico que isso são as suas propostas. Certa vez houve um que prometeu que iria adquirir uma vaca mecânica para atender as crianças em uma comunidade rural. Em outras tantas de um que se eleito fosse usaria seu equipamento de som para promover discotecas gratuitamente no município. Há ainda aqueles que dizem, como sempre, serem os representantes do povo, que vão fazer isso e aquilo pelo povo, que irão utilizar o dinheiro ganho em sua função para comprar cadeiras de rodas e ajudar os necessitados de um modo geral. Não é de partir o coração da tamanha bondade destes embusteiros, ou o nosso saco de paciência?

E o pior disso é o fato de esses biltres nem saberem qual é a função que eles terão que desempenhar junto a Câmara quando empossados. É bem provável que muitos que já foram eleitos para mais de uma legislatura nem sabem ao certo qual a sua função precípua. Entretanto, sabem muito bem o quanto que é salutar para o seu orçamento os ganhos nesta ocupação. Aliás, existem inúmeras pessoas desta categoria que tem como única fonte de renda esse cargo e, se por eventualidade do destino venham a perder o arcabouço junto as mamas da municipalidade, acabam conseguindo outra, não tão farta, muitas vezes, sendo indicado para ocupar um cargo em comissão se, acaso seu candidato a prefeito vir a ganhar. Senão [...] tadinho!

São em sua maioria larápios da pior estirpe, mas como todos animais desta espécie, eles são extremamente simpáticos e muitas vezes munido de iscas (dindin) para atrair as suas presas. Como todo animal peçonhento e parasitário, eles tem as suas artimanhas para capturarem as moscas tontas dos eleitores em sua teia de demagogias meladas e enjoativas.

Por isso colegas cidadãos moscas tontas nos defendamos destes aracnídeos nefandos e usemos nossas armas naturais. Mas qual?

Zunamos! Isso mesmo, zunamos!

Quanto esses mequetrefes vierem com os seus falatórios, hajamos de maneira simpática e lhes minamos com as mais variadas perguntas sobre o município em que vivemos, sobre o papel do poder público, sobre a economia local e nacional, possíveis soluções, e assim por diante de acordo com a perspicácia de cada um.

Provavelmente essa seja a forma mais salutar, em nosso ponto de vista, de se participar efetivamente de um pleito eleitoral de maneira cidadã. Não apenas interrogando "A" por que estamos apoiando "Y", mas sim, interrogar "A", "B", "Y", enfim, o ABCW inteiro se assim for necessário até encontrarmos uma pessoa digna, honesta e capaz para ocupar um cargo de tamanha importância e assim, com tal gesto, pressionar para que nas futuras eleições os outros candidatos que venham a se apresentar sejam melhores do que o que aí está.

Talvez, essa seja a melhor forma de impedirmos que mais imbecis ocupem um cargo junto a um poder de tamanha importância para o bom andamento de uma sociedade democrática. E não nos esqueçamos que eles são nossos representantes pagos com o nosso, repito, nosso dinheiro, e que esse interrogatório que faremos seja como uma apresentação de um currículo do candidato a vaga ofertada.

E, como diz o índio velho: vamos a luta, porque não está morto quem peleja!


Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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