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Fico imaginando o dia em que quando um candidato viesse se apresentar em um comício com a sua lengalenga de sempre, com o não sei o que pelo povo daqui, pelo sei lá o que pelos desvalidos acolá e, ao invés de termos uma multidão infusa em um festejo sem parâmetros tivéssemos ao invés disso, apenas pessoas que foram para ouvir as propostas destes e que de maneira atenta tomassem nota de todas as sandices que eles viessem a propagar. Fico imaginando um dia se ao invés de termos comícios, shows e diversão, tivéssemos as pessoas da comunidade através de associações a organizar mesas redondas para discutir as propostas destes e convidassem eles para virem apresentar as suas plataformas para a comunidade. E, feito isso, para que os presentes pudessem interrogá-los sobre os seus supostos planos e idéias. Imagino mesmo como seria interessante se tivéssemos isso em nosso país. Não estou falando de entrevista em rádios e muito menos de horário eleitoral gratuito e obrigatório nos meios de comunicação televisivo e radiofônico. Estou falando de vivência democrática. Estou falando de pessoas adultas discutindo idéias, decidindo de maneira o mais racional possível os destinos do município que tomamos de empréstimo de nossos filhos e netos. Mas não apenas imaginemos como o hipócrita do John Lennon que imaginava um mundo sem fronteiras e com igualdade e vivia encastelado em sua fortuna. Imaginemos e sonhemos juntos. Trabalhemos juntos nessa campanha que não é partidária e muito menos ideológica. Essa luta é simplesmente para que possamos construir instituições democráticas mais sólidas e de fato e não meramente de nome como temos hoje. Façamos isso se, é claro, nós não sejamos devotos da lei de Gerson, não é mesmo? Ou somos?
Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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