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Opinião
23/08/2004 - 12h07
Quer pagar quanto pelo seu futuro?
Dartagnan da Silva Zanela
 

É "logo de legal" como dizem os mancebos contemporâneos vermos pessoas de classe média alta a se reunirem em bares e estabelecimentos do gênero a discutirem as questões que permeiam o processo eleitoreiro de nosso país. Dentre essas inúmeras questões a que com maior freqüência perpassa essas conversas é a facilidade com que as pessoas menos abastadas, os mais humildes vendem a sua dignidade, o seu voto.

Aliás, pobre do povo e infeliz dos politiqueiros de plantão. É sempre e unicamente deles a culpa de todos os males que vexam o nosso país e eles, incólumes e falsos moralizantes da classe mediana, são as mais puros e inocentes, vítimas deste esquema pernicioso e, como todo fariseu que se preze, esses não se reconhecem jamais diante das faltas que eles mesmos cometem, visto que, para esses, erro é o que os outros fazem, os seus atos são justos, independente da iniqüidade em que suas mãos estejam envolvidas.

Do mesmo modo que eles acusam de maneira indelével os homens públicos depravados e o povo sem decoro cívico que vende seu voto por uma cesta básica, uma consulta médica, uma dentadura, são incapazes de reconhecer essa mesma postura em seu ato de negociar um cargo em comissão para si ou um familiar seu, uma facilidade junto a uma repartição de seu interesse ou mesmo, em casos mais extremados, ter preferência em "licitações" ilícitas ou alguma vantagem "legal".

E, diga-se de passagem, falam muitas vezes de boca cheia que se lá estivessem se portariam de maneira similar ou mesmo igual. E nos piores casos, são mesmo pessoas honestas, porém covardes. Crêem que não tem nada haver com isso e assim procurará não se envolver nestas questões. Todavia, não deixa de ficar falando pelos cotovelos sobre o tema com ares de indignação, vendo Faustão domingo à tarde, deixando-se invadir por uma colossal má vontade e, mesmo assim, arrotando como "bom cidadão".

Creio que está mais que na hora de todos nós mudarmos esse estado das coisas tomando, a princípio, uma atitude em relação a nossa maneira de ser e de ver nosso país. Temos que passar a nos ver enquanto uma sociedade de pessoas trabalhadoras que é afanada por um pequeno grupo de oportunistas que tentam nos convencer que estão do nosso lado e assim nos dividindo para defendermos de maneira patética os interesses vis deles como se esse também fosse o nosso.

Como nos dizia Edmund Burke, "A única coisa necessária para que o mal triunfe é que a gente boa não faça nada". Pessoas de boa índole como você amigo leitor que como eu, braveja ao vento, mas é incapaz de se reunir com outros cidadãos para fiscalizar os desfeitos de nossos representantes.

E pior! Ainda somos capazes de dizer que queremos construir um Brasil melhor para as gerações vindouras.


Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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