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Medicina e Saúde
27/03/2004 - 08h10
Páscoa e os portadores de distúrbios alimentares
 
 

Para quem vive de regime ou brigando com a balança por causa dos quilinhos a mais, entregar-se aos doces e chocolates no período da Páscoa sem culpa é quase impossível.

O problema é ainda pior para quem tem distúrbios alimentares - doenças que estão diretamente relacionadas à comida. "Em geral, pessoas que comem muito chocolate têm problemas generalizados com alimentação. Ou seja, comem compulsivamente diferentes tipos de alimentos, entre eles os doces", explica o psiquiatra do Hospital VITA, André Astete.

No caso do chocolate, a tentação costuma ser ainda pior, já que é um alimento que tem reforço e aprovação social. Como muitas vezes é utilizado como presente e consumido em festas, o chocolate acaba virando sinônimo de alegria. "Dessa forma, ele pode ser associado a situações prazerosas e à neutralização de estados emocionais negativos, o que aumenta a probabilidade de consumo", destaca o psiquiatra.

Quem resiste? Quer dizer que a vontade de devorar barras e mais barras e esbaldar-se com os ovos na Páscoa é apenas culpa do guloso? De jeito nenhum. O chocolate também tem suas armas para conquistar tantos fãs. O segredo está na composição química. O chocolate é um alimento com alto teor de glicose. Para digerir a glicose, o organismo produz insulina que, entre outras coisas, aumenta a absorção de aminoácidos. No chocolate, há um aminoácido chamado triptofano, que é um precursor da serotonina, substância responsável no nosso organismo pela sensação de prazer e bem estar. Ou seja, o próprio chocolate teria mecanismos de aumentar sua absorção e causar essa sensação agradável. Isso contribuiria para a compulsão dos chocólatras - pessoas que têm uma necessidade muito grande de comer chocolate o tempo todo. É interessante notar, no entanto, que a vontade dessas pessoas muitas vezes está ligada a qualquer tipo de doce, não se restringindo ao chocolate. Mas nem por isso o problema se assemelha a um vício, como o que ocorre com drogas como a cocaína e o tabaco.

Segundo Astete, é preciso entender o consumo excessivo de chocolate como um hábito disfuncional e não como um vício. Ao contrário do que muita gente imagina, são poucos os casos chocólatras que procuram tratamento médico ou psicológico. A procura é mais comum por pessoas com outros distúrbios alimentares como a bulimia e a anorexia nervosa (doenças que causam um temor exagerado de engordar) e a hiperfagia habitual, que leva à obesidade. Mais recentemente tem sido estudado o transtorno compulsivo alimentar periódico. A doença é caracterizada por episódios de perda de controle. A pessoa tem um padrão alimentar, mas, certo dia, não consegue se segurar e come em quantidades absurdas.

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