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Opinião
27/07/2004 - 20h23
O que desejamos?
Angelo Nogueira
 

Há quem diga que o brasileiro é corrupto por natureza, herança genética dos degredados portugueses. Nada disso! Somos apenas vítimas de nossa cultura. A cultura do "jeitinho". Ensinamos nossos filhos a ser "espertos" e queremos "levar vantagem" em tudo. Por isso preferimos votar em quem nos acena com favores, elegemos quem "rouba mas faz" e acabamos vítimas dos verdadeiros "malandros".

Apesar de alguns avanços e conquistas, a sociedade brasileira convive com problemas estruturais que encontram na corrupção um de seus maiores fundamentos. Seus danos não se limitam à farra com o dinheiro público e aos conseqüentes prejuízos causados nos setores de saúde e educação, entre outros. É na inversão de valores da sociedade e na deformação moral de seus indivíduos que se concentram os efeitos mais nefastos da corrupção. Tendo como ponto de partida a tolerância com os pequenos delitos, não há muito o que percorrer até a aceitação das grandes falcatruas no poder público.

Onde a sociedade não tem condições de se impor de forma organizada, o controle das instituições responsáveis pela fiscalização do poder não é eficiente. E é justamente a falta de um efetivo controle do poder que oferece um terreno fértil para o florescimento da corrupção. Seus botões já podem ser vistos desde as campanhas eleitorais: os famosos "caixas 2", a compra de votos e o uso da máquina administrativa.

As estratégias empregadas para alcançar ou manter o poder abrem espaço para um afrouxamento moral, pois a sociedade, que nem sempre tem muita clareza sobre o lícito e o ilícito, o ético e o aético, acaba sendo conivente com práticas que, em outras circunstâncias, não seriam toleradas. O economista Amartya Sem enfatiza que "o modo como as pessoas se comportam depende freqüentemente de como elas vêem - e percebem - o comportamento dos outros", em especial o dos detentores do poder.

O caminho para a solução dos problemas relativos ao processo eleitoral passa obrigatoriamente pelo aperfeiçoamento do controle das campanhas dos candidatos e a punição mais efetiva dos atos de corrupção eleitoral. Entretanto, embora a sistemática das eleições tenha sido aperfeiçoada para que mereça maior credibilidade, ainda há brechas na legislação. Além do mais, o TSE não está dotado de meios legais que lhe permitam realizar investigações, ele só pode agir quando acionado, ainda assim sua atuação lenta alimenta a expectativa de impunidade.

Esta realidade não vai mudar através de decretos ou grandes atitudes governamentais. As mudanças só ocorrerão quando você e eu, juntos, estivermos indignados o bastante para querer mudar. Porque enquanto a sociedade não for capaz de distinguir os limites do que é política e eleitoralmente aceito só está legitimando a imoralidade e hasteando a bandeira da impunidade. Como diz o cientista político Sérgio Abranches: "A política é a cara da sociedade, mesmo que esta queira manter a ilusão de que é melhor do que a política que engendra. Afinal, onde se locupleta um, locupletam-se todos."

É isso que desejamos?


Nota do Editor: Angelo Fonseca Nogueira Junior é de Caraguatatuba, SP - E-mail: angelonogueira@modulo.br.

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