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"A história é a ciência da infelicidade dos homens". (Raymond Queneau)
É com essa afirmação que tem início a obra dirigida por Stéphane Courtois, O LIVRO NEGRO DO COMUNISMO, esse denso trabalho que deveria ser de leitura obrigatória para todo aquele que desejasse ter uma visão clara do que fora essa trágica centúria que acabamos de deixar que foi literalmente assombrada com seus macabros "experimentos socializantes". Mas um ponto que nos chama por demais a atenção é o fato de muitos dos crimes apontados pelos autores desta obra ocorreram após o término da segunda guerra mundial e após os julgamentos dos oficiais Nacional-socialistas. Todavia, todos os governantes, digo, criminosos comunistas, não tiveram o mesmo destino merecido pelos seus irmãos gêmeos siameses, os nazistas da Alemanha. E mais. O que me chama atenção é que muitos ditos defensores dos direitos humanos acobertavam os inúmeros genocídios que estavam sendo perpetrados nos países comunistas. Caso clássico dessa hipocrisia delirante com pompa pseudo-humanista é o do intelectual Noam Chomsky, homem o qual, durante muito tempo nutri uma reservada admiração, mas que hoje nutro grandes ressalvas as suas considerações. A principiar pela sua suposta postura anarquista. Quanto li o seu livro CAMINHOS DO PODER em um capítulo o mesmo fala-nos da necessidade de que no momento seria fundamental de se ampliar os poderes do Estado para que o mesmo venha a garantir um certo bem estar para a grande parte da população desafortunada que abunda no mundo e só depois destruí-lo. Espera aí: que tipo de anarquista é esse que afirma uma estupidez desse tamanho? Segundo: será que as experiências da URSS, não lhe bastaram para ver que quanto maior a presença deste mostro desumano que é o Estado, maior a miséria dos que por ele são tutelados? Será que ele não se lembra o que fez Pol Pot na década de 80 no Camboja, onde em menos de um ano os comunistas assassinaram mais de um milhão de cidadãos cambojanos no intuito de construir o novo homem para o novo mundo? Ah! Claro que não, esse biltre defendia Pol Pot em suas declarações a imprensa dizendo que ele estava tomando a atitude mais correta no momento e que muito do que lá estava acontecendo, e que depois na década de 90 foi confirmado, o mesmo dizia que era apenas desinformação para solapar o "projeto humanista" que lá estava sendo edificado. Alias, me pergunto quantos como Chomsky aqui no Brasil até hoje dizem que não há presos políticos em Cuba e que inclusive fazem abaixo assinado em defesa de Fidel e sua quadrilha que lá está no poder a 45 anos? Para infelicidade do povo cubano, não são poucos que não apenas os "esquecem" cinicamente, mas os acobertam com a mais diabólica hipocrisia afirmando que os crimes cometidos contra as suas pessoas é um pequeno mal para o bem geral da humanidade.
Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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