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Humildemente transcrevo na íntegra um texto sobre a (o) Swasthia Yôga, pois algumas pessoas me perguntam: o que é isso? O texto é de domínio público e, se você quiser pode tirar uma cópia, distribuir e esclarecer a população sobre este Yôga com acento circunflexo. O texto é de autoria de Ricardo Galhardo e foi publicado na revista Veja, de 13 de setembro de 2000. Cômico ou trágico? O título da matéria é: "Seu mestre mandou". O subtítulo: "Com muita lábia, o carioca De Rose faz sucesso e fortuna com ioga. Ops, yôga". Vamos lá. "Se alguém disser a você que "não é ioga, é yôga, com o o fechado", pode apostar: eis aí um discípulo do mestre (titulo autoconcedido) De Rose. Carioca de voz macia, carisma incontestável e 56 anos de muita, muita lábia, Luiz Sérgio Alvarez De Rose é dono da mais bem sucedida rede de academias de ioga do Brasil - 197 unidades a estampar em luminosos cor de laranja o nome De Rose, 8000 alunos que pagam 250 reais de mensalidade. Não se tem notícia de que o guru levite ou se desmaterialize. Sua, por assim dizer, união com o Absoluto (não era esse o objetivo da milenar tradição hinduísta?) se dá por intermédio do marketing. Exemplo: para diferenciar-se da concorrência, ele lançou a idéia de que ioga e yôga não são a mesma coisa. Na verdade, é como dizer que futebol e football são dois esportes distintos. Ioga é simplesmente a forma aportuguesada de yôga, a pronúncia do termo original, em sânscrito. Pois é, uma bobagem, mas que deu certo. No mínimo emprestou ao negócio uma aura extra de mistério. E mistério sempre há de pintar por aí, ainda que o incenso seja barato e os mantras, desafinados. Há de se reconhecer, no entanto, que o yôga de De Rose tem mesmo um circunflexo que faz toda a diferença: o sexo tântrico, um elemento meio desprezado entre os praticantes da ioga sem acento. O guru carioca é autor do livro O Hiperorgasmo, em que receita exercícios de como retardar ao máximo o êxtase e, assim, extrair o máximo de prazer de uma relação (a dois, a três, a quatro etc.). De Rose afirma que sexo bom é aquele que demora em média três horas para chegar ao clímax. Sim, você leu certo: três horas ou duas partidas inteiras de futebol. "Vou catapultá-lo aos píncaros do prazer", promete. Ele, como bom mestre não fica só na teoria. Quem quiser pode ter aula prática. De tempos em tempos, os alunos das 197 academias são convidados. Bem, você sabe. Faz-se uma lista, da qual o guru seleciona alguns nomes. Dos 500 que, em média, dizem "sim", apenas vinte serão convidados a partir para o tantrismo explícito. E sob a batuta do mestre. Não, não vale tuuuudo. O uso da camisinha é obrigatório e intercursos homossexuais são proibidos. "O hiperorgasmo é o máximo: quando estamos chegando lá seguramos. Tem hora que não dá mais e aí a sensação é maravilhosa, indescritível", conta uma aluna de 29 anos. O parceiro de algumas de suas discípulas, adivinhe só, é o próprio mestre. Mestre, não, mestrão. Mestraço. De Rose não nega nem confirma. "Não posso quebrar uma tradição milenar e expor esses segredos", diz. Humm, sei... Não é à toa que o guru - guru não, guruzão. Guruzaço - está no décimo primeiro casamento. Em todos, uniu-se a ex-alunas. Com três delas teve três filhos. O mais velho tem 33 anos e o caçula 11. De Rose prega que os praticantes de yôga só devem fazer sexo e casar-se entre si. "Comungar com pessoas que se encontram em nível menos evoluído retarda o seu progresso e anula muito do seu esforço", preconiza. Nascido na Tijuca (ou seria Tyjôca?), bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, filho de um contador e de uma professora de música, De Rose não tem curso superior. Seu pai queria que ele seguisse a carreira militar, mas desde cedo ele diz ter sido cooptado pelas hostes hinduístas. Aos 15 anos, conta que foi parar numa sociedade secreta de estudos orientais. Um belo dia, uma integrante desta confraria o convidou a ir à sua casa. Emocionado, o jovem De Rose imaginou que seria submetido a um ritual de iniciação. Ao bater na porta da senhora em questão, no dia e hora marcados, qual não foi a sua surpresa ao cruzar com pessoa vestidas de faquires e marajás. Era apenas uma festa a fantasia. Para compensar a falta de turbante, De Rose viu-se convocado a fazer uma exibição de yôga. "Todo mundo adorou e foi assim que comecei a dar aulas", afirma. Parece até história da carochinha. Carochina, não, carôchinha. Em 1969, aos 25 anos, ele fundou a primeira academia. Começava ali, em uma casa da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, o império De Rose. Hoje, das 197 academias, 195 são franqueadas. Pela marca cada franqueado paga 9000 reais e 10% dos rendimentos mensais. De Rose já publicou doze livros, que lhe auferem um bom tutu tântrico. Ele também vende incensos, fitas de vídeo, roupas de ginástica e até pacotes turísticos para a Índia. De Rose diz que todo o dinheiro vai para a Uni-Yôga, uma entidade sem fins lucrativos, criada e comandada pelo próprio. "Sou rico em saúde, paz, tranqüilidade, amor, carinho", declara, sem pejo. Então, ta. A que horas termina o baile à fantasia?". Aqui, na íntegra, termina a matéria da revista Veja. Faça, o interessado, uma pesquisa nos melhores jornais e revistas do País (Isto É, a Folha, O Estado, Superinteressante, Jornal do Brasil etc.) e fique sabendo mais sobre este yôga. O mestre forma professores em sua "universidade de yôga". Não vou nem comentar. Só posso afirmar que o marketing é light e visa o público jovem e mais despreparado por razões óbvias.
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