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Opinião
11/08/2004 - 14h52
Ansiedade olímpica
José Rubens D’Elia
 

A dois dias da cerimônia oficial de abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas, a imagem que deve vir à tona na mente coletiva é a dos maravilhosos "aros olímpicos", que nos relembram o significado do evento e nos fazem sentir as emoções das competições, da entrega de medalhas, dos hinos e de todos os detalhes que tornam as Olimpíadas uma realização realmente singular.

Nossos atletas já estão em Atenas, reconhecendo e usufruindo o novo habitat: a Vila Olímpica. É a hora da verificação dos equipamentos, da checagem dos detalhes de cada esporte. As delegações se cruzam, o encontro com os ídolos acontece. Para os mais velhos, é mais uma experiência emocionante. Para quem está indo pela primeira vez, tudo pode ser muito especial e até ter um efeito inibidor.

Nesse momento, a Vila Olímpica está sendo um palco, onde os atletas vivenciam um misto de encantamento, emoção e ansiedade.

O encantamento e a emoção podem agir como fatores nutritivos para esses momentos que antecedem a estréia.

Já a ansiedade pode ter vários efeitos. Uma dose de ansiedade é perfeitamente normal e é benéfica. É ela que canaliza a energia para querer fazer o melhor, para acreditar no resultado, para enfrentar o desafio, com a potencialidade e a preparação feita por cada um.

Quando a ansiedade ultrapassa esse limiar pode ser preocupante e precisa ser trabalhada para que não tenha o efeito de paralisar a ação.

Definir qual é o limite entre um estado e outro é muito difícil. Não existe uma porcentagem matemática para dividir a divisória tênue do estado saudável para aquele que pode prejudicar um resultado ou talvez causar um desconforto desnecessário.

O segredo dos atletas que saberão definir o seu patamar foi estabelecido também na fase de preparação técnica. Controlar e lidar bem com a ansiedade e não camuflá-la é algo que também se aprende e se treina. Faz parte da competência emocional, que muitos atletas já treinam com um profissional da área de psicologia ou com a prática de yoga, meditação e outras técnicas similares. Na hora da aprendizagem, pode não ter ficado tão claro o resultado prático de saber administrar a ansiedade. É agora, na hora decisiva, no momento em que os olhares do mundo e, principalmente, do país se voltam para cada um, que essa atitude pode "fazer a diferença".

Como espectadores e torcedores, canalizaremos a nossa torcida para que todos os atletas brasileiros saibam usar a ansiedade como um estímulo para fazer o melhor, sem deixar que ela alimente o medo e diminua a energia.

Além dessa postura, podemos também aproveitar esse momento, para refletir sobre o que nos deixa ansiosos e como lidamos com isso?

Temos consciência se a ansiedade que sentimos está no grau saudável ou passa do limite?

Conseguimos identificar as situações que nos deixam mais ou menos ansiosos?

Normalmente, quando estamos também perto da nossa Olimpíada (que pode ser entendida como o seu objetivo para o momento atual), a ansiedade nos visita implacavelmente. Podemos dar boas-vindas a ela e usá-la a favor do nosso crescimento e evolução.

Porém, se percebermos que ela nos faz mal, que nos paralisa e nos impede de agir de acordo com a nossa competência e preparo, está na hora de fazer algo, para aprender a lidar com esse sentimento.

Existem muitas alternativas saudáveis que podemos treinar e aprender. As que conheço e recomendo são as atividades que indico para meus atletas: yoga, meditação, corrida, caminhada, massoterapia, entre outras.

Como sentimento humano, a ansiedade vai sempre existir e estar presente na nossa vida.

Como campeões, temos recursos para transformá-la num fator de otimização da nossa energia e dos nossos resultados.

Afinal, a sua olimpíada (em qualquer área da vida) é a mais importante. E você merece medalha de ouro. Não deixe por menos. Vá atrás da sua com o diferencial de saber lidar com a ansiedade.


Nota do Editor: José Rubens D’Elia, 49 anos, é professor de Educação Física, consultor de empresas e preparador físico de grandes atletas (além de Robert, ele trabalha com Lars Grael, Christian Fittipaldi, Mário Haberfeld e outros) e de personalidades como Roberto Shinyashiki.

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