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Reabsorção é diagnosticada com a identificação de anticorpos produzidos pelo organismo para destruir proteínas de dentes danificados por acidentes, bruxismo ou utilização de aparelhos ortodônticos.
Uma técnica inédita no mundo utiliza gotas de sangue, saliva ou lágrimas para fazer o diagnóstico precoce da reabsorção dentária. O teste, que poderá ser feito pelo próprio dentista no consultório, foi desenvolvido na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP e deve estar disponível no mercado em dois anos. A reabsorção atinge entre 5% e 10% da população mundial e provoca a perda dos dentes, com maior risco para os usuários de aparelhos ortodônticos. O professor da FOB, Alberto Consolaro, que coordenou o desenvolvimento da técnica, explica que a reabsorção acontece quando a raiz do dente é corroída pelas células do próprio organismo. "Quando o dente sofre um trauma, range ou é movimentado por aparelhos, as células que revestem a raiz são destruídas, provocando a reabsorção", diz. "Sem as raízes, os dentes ficam frágeis e caem". De acordo com o professor, a reabsorção dentária atualmente é diagnosticada por meio de radiografias. "O raio-X, porém, detecta a reabsorção apenas em estágio avançado, quando a perda do dente é praticamente inevitável", explica. "Pelo teste de sangue, é possível fazer o diagnóstico antes que a raiz sofra danos." Kits Quando ocorre a reabsorção da raiz, o sistema imunológico do organismo produz anticorpos para destruir as proteínas do dente (sialoproteínas e fosfoproteínas). "Estes anticorpos circulam pela corrente sanguínea, sendo necessária apenas uma gota de sangue para detectá-los", relata. "O teste também poderá ser feito utilizando-se saliva ou lágrima." O professor explica que o tratamento da reabsorção dentária é feito com o combate das causas do problema. "Em caso de traumatismo, o dentista abre um canal no dente para colocar remédios. Se for provocada pelo uso de aparelho, o profissional procura eliminar o excesso de força", explica. "Se a pessoa apresenta bruxismo, é colocada uma pequena placa acrílica para evitar o ranger de dentes durante o sono." Alberto Consolaro calcula que os kits para detectar a reabsorção deverão estar disponíveis no mercado dentro de dois anos. "Eles serão semelhantes aos usados para fazer tipagem de sangue ou detectar diabetes", aponta. "Um protótipo deverá estar pronto em 2005". Segundo o professor, os testes poderão ser feitos pelo próprio dentista, em seu consultório. "Cada kit deverá ter capacidade para realizar de 50 a 100 testes." As pesquisas sobre o diagnóstico da reabsorção dentária duraram cinco anos e contaram com o apoio da Fapesp.
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