|
A origem da Cirurgia Plástica se confunde com a própria História da Humanidade. Em relatos de 4000 a.C., podemos encontrar a prática de cirurgias reparadoras entre os hindus. Os egípcios também efetuavam correções estéticas pelo corpo, além de reparações de defeitos e deformidades. E isto há mais de 4000 anos atrás. Não seria exagero afirmar que a história da cirurgia plástica é tão antiga quanto à história da guerra. Na Antigüidade e Idade Média, as armas de corte ou contusão, como o martelo, provocavam inúmeros ferimentos, principalmente contusões no rosto. Mesmo com o advento da pólvora e das armas de fogo, a luta corpo a corpo ainda continuava e assim, prosseguiam os ferimentos faciais dos guerreiros. Sem contar as mutilações. Os médicos passaram não apenas a tratar os ferimentos de guerra, como também a realizar intervenções cirúrgicas reparadoras nos feridos. E nesta área, destacou-se a rinoplastia, pois o nariz era o alvo mais exposto no rosto do inimigo. Antigos tratados orientais dedicam capítulos inteiros a este tipo de cirurgia, com ilustrações semelhantes às que se encontrariam, mais tarde, em obras ocidentais sobre o assunto. Os primeiros cirurgiões plásticos eram chamados de "secretistas", pois passavam seus conhecimentos de pai para filho, como um segredo profissional. Contudo, foi no Renascimento que surgiu o primeiro médico especializado em cirurgia plástica. Preocupado com os problemas causados pelos ferimentos faciais, Gaspar Tagliacozzi, italiano nascido em 1545, foi o pioneiro no estudo da especialidade. Dominou completamente a rinoplastia. Em 1587, publicou um tratado sobre cirurgia rinoplástica, com muitas ilustrações, e o método empregado por ele pode ser comparado aos utilizados ainda no século XX. A partir do século XIX, a cirurgia plástica passou a ser reconhecida como importante ramo da Medicina. Em 1869, Reverdin publica sua tese mostrando a possibilidade de transferir pele de uma região para outra. Nasce o enxerto livre, que iria revolucionar as cirurgias reparadoras e, mais tarde, as estéticas. Os cirurgiões sempre enfrentaram pressões por parte da Igreja, que procurava impedir a prática reparadora por acreditar que era contrária aos desígnios de Deus. Porém, nem críticos e nem clero foram capazes de impedir a explosão da cirurgia plástica, que ocorreu a partir do século XX. Foi durante este período que a especialidade adquiriu um novo caráter social e humano. As duas Guerras Mundiais deram experiência aos cirurgiões, que atuavam nos fronts efetuando cirurgias reparadoras nos feridos. Quando acabaram esses confrontos, toda a bagagem obtida foi transferida aos meios científicos. A partir da segunda metade do século, a cirurgia puramente estética ganhou impulso, separando-se da finalidade de reparação. Atualmente, a Cirurgia Plástica conta com modernos métodos e profissionais altamente especializados. O número de pessoas que recorrem aos seus benefícios, principalmente os estéticos, é crescente. As cirurgias, em sua maioria, são muito simples e o tempo de internação é de praticamente um dia. O pós-operatório é quase indolor e as cicatrizes, mínimas. "As pessoas recorrem às cirurgias buscando corrigir imperfeições, e os resultados são cada vez melhores. É uma área que só tende a crescer", diz Deusa Pires Rodrigues, cirurgiã plástica formada pela Universidade de São Paulo e Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. O Brasil tornou-se um centro de referência na área, com cirurgiões eficientes e técnicas inovadoras. "Pacientes de várias partes do mundo chegam ao país para serem operados pelos profissionais brasileiros", conta a médica.
|