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A boca fica seca, a pressão arterial e a taxa de açúcar no sangue sobem e os vasos sangüíneos se dilatam fazendo o rosto ficar vermelho.
Ele chega de repente e cada vez é mais freqüente nas grandes cidades. O ataque de fúria, em princípio, pode acontecer com qualquer pessoa e em qualquer lugar. No trânsito, no banco, em um estacionamento, mas, em geral, é uma emoção intensa. Muito diferente da raiva, a fúria possui uma característica destrutiva, agressiva. E o surto acontece da seguinte maneira: o sistema límbico, que é a área do cérebro que comanda as emoções, é ativado por um acontecimento, portanto passa a ser dominante no cérebro, produzindo uma quantidade maciça de adrenalina que anula a função racional, o que impede a pessoa de avaliar os aspectos da realidade. Ao mesmo tempo outra área do cérebro, responsável pela produção de endorfinas, é ativada, suprimindo a sensação de dor. Por isso muita gente se machuca durante um surto e não percebe. QUAL A CAUSA? Segundo a chefe do setor de psicologia do Hospital e Maternidade São Camilo Pompéia, Rita Calegari, as explosões de fúria podem ser desencadeadas por excesso de estimulação. "É o caso das pessoas que vão agüentando uma situação que gera raiva por muito tempo e não conseguem trabalhar esse sentimento, não falam, não desabafam, até que, em um determinado momento, elas explodem", explica. A psicóloga ressalta, porém, que a raiva não é um sentimento negativo. "Ela serve como forma de proteção de uma ameaça real ou imaginária, o problema é o que as pessoas fazem com o sentimento, quando ele se acumula". A raiva pode ser fruto de um estresse crônico. Entretanto, há casos em que o surto de fúria pode indicar a presença de problemas mais graves. É o caso de pessoas que sofrem ataques de fúria de forma constante. Geralmente, depois do ataque vem o efeito rebote. A pessoa restabelece o equilíbrio, percebe a intensidade desproporcional da reação e pode sentir: tremedeira, suor intenso, crise de choro, arrependimento e até depressão. Além disso, é comum a pessoa não se lembrar direito do que aconteceu. A explicação é que, para formar a memória, é preciso estar consciente e ter um alto nível de atenção, justamente, duas das funções mais prejudicadas no momento de raiva intensa. Sem contar os efeitos nocivos do excesso de adrenalina que, em excesso ou falta, afetam a memória. COMO EVITAR - A dica da especialista é não reprimir a raiva. Cada pessoa deve encontrar uma forma de extravasá-la. Pode ser por meio de uma conversa franca, de exercícios de relaxamento, da prática de atividade física ou de um hobby.
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