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De vez em quando tentativas de patranhas são bloqueadas pela justiça. Nesses momentos nossa alma sorri satisfeita. Isso acontecerá cada vez mais, dentro de alguns anos, quando todas as informações estiverem cruzadas nos computadores federais, não haverá espaço para lambanças. Poucos vão se interessar pelos salários da vida pública, onde atualmente acontece o milagre da multiplicação dos "peixes". Ganha-se pouco e gasta-se muito. Carros, casas, terrenos e outros bens são comprados em nome de laranjas. A receita não bate com a despesa, mas como nada pode ser provado, a vida segue seu curso. Os que percebem a facilidade de colocar a mão no que é público passam então a almejar o poder. Como um faminto vai ao prato de comida, como um sedento persegue o jarro d’água. Depois desse nariz-de-cera, que custaria uma reprimenda do editor, não fosse eu o editor, vou lembrar um fato aos leitores, um fato que mostrou a disposição de nossos edis de ignorar a opinião pública e legislar visando unicamente interesses não muito claros. O vereador Ricardo Chamagás apresentou um projeto de lei visando isentar a concessionária do serviço de transporte urbano de passageiros de Ubatuba do pagamento de ISSQN. O projeto foi aprovado e enviado ao executivo. O prefeito Paulo Ramos vetou. Fez o que era de se esperar, usou de bom senso. O projeto voltou para a câmara apreciar o veto, na terça-feira passada, dia 17. Aconteceu então um fato inusitado, o vereador Marquinhos Tio Sam solicitou adiamento por seis sessões. Aqueles vereadores de sempre, nossos velhos conhecidos, votaram pelo adiamento, apesar do desgaste que isso representaria, já que a votação só ocorreria após as eleições quando não haveria mais a necessidade de prestação de contas aos eleitores. É importante registrar os nomes dos que tiveram a hombridade de não compactuar com a tentativa cavilosa. Foram eles: Charles Medeiros, Domingos dos Santos, Eduardo César, Gerson de Oliveira (Biguá) e Ricardo Cortes. Os demais, bem os demais não merecem comentários, votaram como já disse pelo adiamento. Ontem, ao acessar o site da Câmara, tomei um susto. O projeto adiado está na ordem do dia para ser votado hoje, dia 24. Depois de inúmeras perambulações em busca de luz, finalmente acabei sabendo que vetos não podem ser adiados. A manobra não deu certo, embora a tentativa de derrubar o veto do prefeito deva ser mantida. Eles não desistem com facilidade! Estou, pois, convocando os homens de bem desta cidade. Hoje é dia de ir à Câmara. Está na hora de mudar esse panorama que só faz fomentar o atraso.
Nota do Editor: Sidney Borges é jornalista e trabalhou na Rede Globo, Rede Record, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo (Suplemento Marinha Mercante) Revista Voar, Revista Ícaro etc. Atualmente colabora com: O Guaruçá, Correio do Litoral, Observatório da Imprensa e Caros Amigos (sites); Lojas Murray, Sidney Borges e Ubatuba Víbora (blogs).
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