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"La palabra ’evolución’ se há constituído em uma de las señales inconfundibles de nuestro tiempo", afirmam enfaticamente os sábios da Pontifícia Universidade de Salamanca, em 1957. Passaram-se os anos e continuamos com um estado de espírito similar. Dizemos similar visto o fato de que o evolucionismo, em sua versão vulgarizada, do mesmo modo que as doutrinas materialistas, nas últimas décadas conquistaram grande simpatia da parte do público ganhando ares de irrefutabilidade, como se fosse já em si uma verdade científica comprovada e aplicável em todos os campos dos saberes, desdenhando-se todas as contendas intelectuais que são travadas em torno desta idéia. Todavia, muito pouco se compreende sobre o que se trata e quais as suas implicações para a vida em sociedade e principalmente de sua constituição teórica. Primeiro problema que abordaríamos seria a confusão que se faz com a idéia de evolução com evolucionismo. O conceito evolução está presente nas discussões filosóficas desde os idos da antiguidade clássica, a partir da obra de Anaximandro da Jônia. Nesse sentido, evolução seria um processo de transformação que incide sobre algumas coisas e criaturas existentes, não todas, fato o qual é irrefutável. Outra coisa totalmente diferente é o que entenderíamos por evolucionismos. Usamos o termo no plural, pois dele temos a interpretação vulgar feita por leigos e a que é apontada pelos indivíduos que atuam nesta seara do saber humano. Deste modo, segundo as pessoas versadas sobre o assunto, evolucionismo seria um sistema de teorias cuja intenção basilar seria explicar todo o devir do mundo, dar uma resposta cabal para a nossa existência e sobre nossa condição neste mundo. O grande naturalista Charles Darwin havia proposto que entre todas as espécies animais haveria sempre a pré-disposição dos mais aptos ao ambiente sobreviverem em detrimento dos menos. Tal proposição é totalmente contrária a que popularmente se fala pelas ruas de que é o mais forte que sobrevive. Por exemplo, em meio a um deserto, quais aptidões são mais necessárias para sobreviver: força ou capacidade de se manter longos períodos sem acesso a uma fonte d’água? Mas, mesmo assim, com base em um equívoco como esse, muitos em um pacto de desconhecimento concordam com esse sistema teórico. Todavia, ele traz em seu âmago uma contradição que acaba por passar batido que seria a tese de que todo organismo, que todas as instituições e formas societárias (no caso do darwinismo social) evoluem de uma forma simples para uma mais complexa e que nunca ocorreria o contrário. Que toda sociedade evoluiria sempre de uma forma homogênea para formas cada vez mais heterogêneas como nos explicava o darwinista social Spencer. Tal regra não se aplica necessariamente a vida em sociedade e muito menos às considerações teológicas. Entretanto, acabamos crendo que seja realmente essa uma lei perene que perpassa todos as formas de vida e de organização societárias sem percebermos que muitas organizações simples emergem de organizações sociais complexas. Sem nos tocarmos que em termos teológicos seria em si a negação de Deus, visto o fato de Ele ser o Absoluto e não o simplório. Essas são algumas questões a serem pensadas, creio eu, não para a refutação do legado darwinista à ciência, mas para não cometermos equívocos para com esse legado e principalmente para a compreensão da vida humana em sociedade e de nossa compreensão dos braços de Gaya.
Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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