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Medicina e Saúde
01/04/2004 - 08h26
Órfãos do bingo
 
 

O fechamento das casas de bingo, após o escândalo Waldomiro Diniz, não deixou somente milhares de pessoas desempregadas e outras tantas sem diversão. A medida deixou uma lacuna para os chamados jogadores compulsivos, aqueles cuja substância química de escolha são os jogos de azar.

Segundo o Dr. Paulo Zampieri, psiquiatra do Recanto Maria Tereza (clínica para dependentes químicos e de saúde mental dos Hospitais São Camilo de São Paulo), a compulsão por jogos é um problema importante e que deve ser encarado com seriedade, pois causa muitas perdas para o jogador e sua família. Além de poder evoluir para um quadro clínico muito grave, com reações depressivas, tentativas de suicídio, rompimentos de relacionamentos etc.

O Dr. Zampieri explica que, diferente das drogas, a química neste caso é fabricada pelo próprio cérebro e acionada por meio das atividades estimulantes e desafiadoras do jogo. "Elas interferem na bioquímica do sistema nervoso central, dando a sensação de vitória e euforia, mesmo quando não se ganha", diz. Essas sensações podem ser explicadas pela produção de substâncias já conhecidas como a adrenalina e a dopamina, proteínas do próprio organismo que fazem com que o cérebro acelere e transmita sensação de bem-estar e felicidade.

Celso de Castro, psicólogo do Recanto Maria Tereza, aponta que os jogadores compulsivos vêem nos jogos de azar uma forma de preencher um vazio existencial, muitas vezes inconsciente. "É uma série de estímulos que fazem com que as pessoas esqueçam do resto do mundo, inclusive dos problemas e alegrias", afirma Celso.

A dependência dos jogos de azar está muito próxima da busca pelo poder, na opinião de Celso. Para ele, o jogador compulsivo, mesmo perdendo, tem a sensação de ter o controle de que vai ganhar. "O jogador acredita que o jogo tem o poder mágico de mudar a sua vida, basta um simples passe de mesa ou um abaixar de alavanca da máquina de caça-níquel", ilustra.

HORA DE PARAR - O Dr. Zampieri diz que o jogo deixa de ser atividade lúdica, de brincadeira quando começam aparecer sinais de descontrole. Atrasos, diminuição de rendimento escolar, mentiras, falta de dinheiro, deixar hábitos elementares da vida (tomar banho, comer por causa do jogo) etc. "Pode-se estar diante de uma vivência de vício", indica o médico.

A recomendação do médico é para que a família, ao perceber estes sinais, faça uma troca clara de informações. Principalmente no caso dos jovens, saber fazer as perguntas: com quem está, com que dinheiro e onde freqüenta. "Esta atitude pode evitar a instalação do comportamento patológico de jogar". Neste momento, o profissional psiquiatra deve ser procurado para orientação.

Tanto Celso quanto o Dr. Zampieri acreditam que os jogos de computador são hoje um perigo para os jovens "pois fazem perder o contato pessoal". Entretanto, acreditam que no caso dos bingos os aposentados e as pessoas da terceira idade acabam sendo as maiores vítimas. "São normalmente sozinhas e buscam no bingo ostentação e companhia, desenvolvendo assim um vício difícil de reverter". Em qualquer espécie de jogo, envolvendo ou não dinheiro, há o perigo de haver a dependência, sendo difícil para uma pessoa viciada deixar totalmente o jogo.

De acordo com dados dos Jogadores Anônimos (JA), grupo de auto-ajuda, a vergonha de se expor como um compulsivo é um dos fatores que mais prejudicam o diagnóstico e o tratamento. Embora difícil, o tratamento implica em orientação psicológica, algumas vezes seguidas de medicamentos e, nos casos mais graves, internação em centros de recuperação longe do ambiente civil. "Para que o dependente aprenda a controlar seus impulsos, não tenha recaídas e volte a ter prazer em atividades saudáveis".

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