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Ao contrário do que diz o senso comum, exercícios regulares e a prática de esportes são indicados, e até necessários, àqueles que convivem com uma das doenças que mais crescem no mundo: a diabetes. Essa é a opinião da Drª Denise Reis Franco, do Centro de Pesquisa Clínica (Cpclin) de São Paulo. Atualmente, há 170 milhões de diabéticos no mundo - 10 milhões deles no Brasil - e, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, esse número chegará aos 300 milhões em 2025. "Parece óbvio, mas precisamos lembrar que, antes de tudo, o diabético é uma pessoa, e deve se exercitar como qualquer um", diz a Drª Denise. "Além de ser importante para o controle da glicemia, as atividades físicas são fundamentais para se ter uma vida saudável." Não há um tipo específico de atividade para os pacientes diabéticos: a recomendação é apenas a de que se comece a prática aos poucos, de preferência com acompanhamento médico. "O ideal é fazer exercícios sem grande impacto, de três a quatro vezes por semana", recomenda a Drª Denise. "A melhor atividade é aquela à qual o paciente se adapta a fazer. Se ele gosta de nadar, pode ser natação, por exemplo." (veja outras dicas abaixo) Segundo a Drª Denise, um grande avanço na qualidade de vida dos diabéticos insulino-dependentes foi o lançamento no Brasil da insulina glargina, basal, denominada Lantus. O medicamento tem a propriedade de evitar os picos de insulina, causadores da perigosa hipoglicemia (falta de açúcar no sangue). As insulinas disponíveis até então não tinham esse controle. Outra recomendação importante é a de, antes de iniciar um programa de exercícios, procurar sempre uma orientação médica. "O tratamento é individual, e o médico olha o paciente como um todo, para analisá-lo corretamente", diz a médica. "É preciso começar com exercícios leves, para só depois passar para um programa mais elaborado." Pesquisas recentes demonstram que exercícios físicos diminuem os riscos de complicações para os pacientes. No estudo Finnish (2002), por exemplo, 522 pacientes obesos com média de 55 anos e glicemia alta passaram a praticar exercícios e a fazer dieta, e constatou-se, após pouco mais de 3 anos, que houve uma redução de 58% na incidência de diabetes no grupo. Além disso, portadores de diabetes tipo 2 tem quatro vezes mais chance de desenvolver doenças ligadas à obesidade, como insuficiência coronariana e derrame. "Diversos pesquisadores vem mostrando que o sedentarismo, hoje já disseminado pelo mundo, pode levar a diversas doenças - por isso é importante que atividade física seja vista como prioridade." Abaixo, seguem algumas dicas de exercícios para diabéticos: - Usar calçados confortáveis e adequados para a prática (o paciente diabético corre o risco de perder a sensibilidade dos membros, ocasionando lesões graves) - Procurar usar roupas leves - Se a atividade tiver duração maior do que 30 minutos, levar junto o monitor para verificar a glicemia - Comer e se hidratar antes da atividade - Levar alimentos com açúcar, barras de cereal, frutas etc., caso o exercício se estenda - Usar protetor solar - Não forçar o corpo e respeitar os próprios limites físicos - Realizar o exercício de acordo com orientação médica Alguns dos benefícios dessas atividades para os portadores de diabetes são: - Redução da glicemia durante e após o exercício - Redução da concentração da insulina, economizando doses - Melhora da ação da insulina - Redução dos níveis de hemoglobina glicada (teste da ponta de dedo) - Melhora da hipertensão - Auxílio na redução de peso - Redução do nível de gordura corporal - Preservação da massa magra - Condicionamento cardiovascular (redução do risco de cardiopatia) - Aumento da flexibilidade - Melhora da auto-estima e qualidade de vida
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