|
Do ponto de vista clínico, seria extremamente fácil caracterizar a depressão como sendo um rebaixamento de humor com manifesto de tristeza, choro, desinteresse, ou seja, por tudo aquilo que sabemos que uma pessoa deprimida apresenta. Porém, este transtorno é muito mais abrangente e complexo. "A sintomatologia depressiva é muito variada e difere de pessoa para pessoa", afirma Juliana Golfieri, psicóloga clínica da Clínica Caminho - Fisioterapia e Bem-Estar. "Assim como um mesmo nível de teor alcoólico pode causar reações opostas em pessoas diferentes (uma fica alegre e eufórica e a outra triste e irritada, por exemplo), a depressão também pode se manifestar de maneiras diferentes". Segundo a psicopatologia, é recomendado como válido para diagnóstico inicial a existência de três sintomas depressivos básicos: sofrimento moral (rebaixamento de auto-estima), inibição global e estreitamento vivencial. No entanto, a psicóloga destaca que algumas pessoas podem apresentar sintomas somáticos (físicos) unidos ao invés dos sintomas emocionais como medo, angústia e tristeza. "Esses sintomas físicos poderão ser classificados como dores vagas e imprecisas, tonturas, cólicas, falta de ar, entre outras queixas de caracterização clínica complicada. Para essas pessoas que somatizam, talvez seja mais fácil comunicar suas aflições e desespero através do corpo ao invés do discurso", explica. Juliana Golfieri cita, ainda, outros sintomas de depressão. "Nesses casos, é muito freqüente um certo prejuízo na capacidade de pensar, concentrar ou de tomar decisões. O indivíduo poderá apresentar, também, fases profundas de depressão sem motivação vivencial". "Uma hipótese para justificar esse transtorno seria a decorrência da eventual somatória de vivências passadas. Portanto, é de extrema importância que o indivíduo depressivo procure o tratamento adequado, sendo, neste caso, o auxílio do psicólogo e, nos casos mais graves, do psiquiatra para uso medicamentoso", orienta Golfieri.
|