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Psicólogos trabalham para aliviar o stress de pacientes infartados, que muitas vezes apresentam perfil controlador e impaciente, e acabam sofrendo mais.
Um perfil de personalidade do paciente cardiopata levantado pelos pesquisadores Friedman e Rocemann, mostra algumas características em comum que acabam levando à doença coronária. Segundo este estudo, pessoas que infartam geralmente são intempestivas, ansiosas, competitivas, intolerantes, ambiciosas, impulsivas, impacientes, conhecida também como personalidade tipo A. Neste Dia do Psicólogo (27/08) Ana Claudia Merchan Giaxa, coordenadora do serviço de psicologia do Hospital Cardiológico Costantini, conta que este trabalho junto aos pacientes cardiopatas, implantado como rotina há dois anos e meio na instituição, é de extrema importância na recuperação durante a fase hospitalar. Pessoas acostumadas a controlar quase tudo a sua volta, ao serem hospitalizadas sentem-se inúteis, fragilizadas e até humilhadas, por estarem numa situação que foge ao controle próprio. É o infarto do ego. "Nosso trabalho é de primeiro mostrar que o sentimento de impotência e de fragilidade é perfeitamente compreensível e normal, principalmente para uma pessoa dinâmica e independente e que de repente se vê nas mãos de outros. Queremos que o paciente consiga externar seus sentimentos, e se for necessário, chorar pode ser o melhor remédio", diz a psicóloga. Ana Claúdia conta que o resultado é positivo. O paciente começa a se acalmar, adere melhor ao tratamento, sente que tem recursos e que aquela fase não vai abalar toda a sua vida. O segundo passo da psicologia é fazer com que o paciente perceba o momento que está vivendo com um olhar positivo. Mostrar que este pode ser um momento de reflexão e de mudança de hábitos e até de valores. "O coração é a representação da vida. Para muito pacientes operar o coração significa: será que vou morrer?", diz. Segundo ela, a presença do psicólogo é fundamental porque muitas vezes o paciente não entende o que aconteceu com o corpo dele, e quais as providências, as mudanças que precisam ser tomadas para garantir uma vida saudável. E a psicóloga lembra: "adoecer não é o fim, mas pode ser uma boa oportunidade para mudar o estilo de vida".
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