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Tudo dava a entender que se procederia com o engavetamento do caso José Dirceu, digo, Waldomiro Diniz devido a postura do fisiológico presidente do Senado da República, o poeta chinfrim José Sarney. Mas, eis que como uma Fênix embriagada, renasce das cinzas o caso quase arquivado e esquecido pela opinião pública nacional. Foi revelado pela Assembléia Legislativa do Estado babilônico do Rio de Janeiro que o senhor Diniz havia efetuado 243 ligações telefônicas para o bicheiro Carlinhos Cachoeira durante o período em que já se encontrava na condição de sub-chefe da Casa Civil, junto com o seu bom e velho amigo o então Ministro José Dirceu. Sei que é triste dizer, mas já está mais do que escancarado. Só não vê quem não quer mesmo. Primeiro uma fita em que solicita verba para formação de caixa dois da campanha eleitoreira do Lulinha "paz e amor". Em um segundo momento faz-se malabarismos mil para se acobertar o caso. Atitude deveras estranha para uma agremiação partidária que sempre se disse transparente e "honesta". E agora essa é de matar. Durante todo esse tempo negou-se que ele fizesse isso durante o período em que estava a atuar junto do governo do "BRASIL DE TODOS" e eis que surge a vista de quem quiser enxergar: 243 ligações para o dito bicheiro. Agora, para que? Bem, se você não é capaz de imaginar eu só lhe dou uma dica: será que não era para fazer a manutenção de um esquema com vistas a pagar contas de campanha? Ou quem sabe para formar um novo caixa dois para as eleições municipais? Bem, se a nação apenas confiou na palavra (e nada mais) de um cidadão, de um motorista do então presidente mauricinho Fernando Collor de Mello para tirarem sua pose e sua majestade, será que tudo isso não é o suficiente para se, pelo menos, dar uma melhor olhadela nesse caso vexaminoso? Ou isso seria visto como uma heresia pelo Partido dos Partidos, como um golpe de Estado sobre o "governo dos trabalhadores"? Bem, creio que sob a ótica petista isso seria totalmente antiético. Onde já se viu macular a imagem do partido imaculável! Então finjamos que nada vimos, nada ouvimos e principalmente, nada falemos, pois, podemos ser processados por calúnia ou coisa do gênero, pois não sabemos como funcionará o novo órgão autárquico que regulará os tinteiros e as línguas dos jornalistas nos dias que estão por vir nesta nação.
Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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