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Estamos em plena campanha para as primeiras eleições municipais do século e do milênio. Não que isso faça alguma diferença, mas que a idéia tem um certo charme e impacto ninguém pode negar, não é mesmo? Na prática, é apenas mais uma reprise do mesmo espetáculo mambembe de sempre, com a maioria dos candidatos repetindo as mesmas falas que já consagraram outros atores do mesmo jaez. E o que é pior: toda as noites, em horário nobre! Quase sempre, a intenção de cada candidato é firmar uma imagem idealizada de si mesmo, imagem esta que, é claro, será bombardeada pelos adversários. É neste momento que a tensão aumenta, as máscaras caem, os candidatos se revelam e nos oferecem a oportunidade de detectar aqueles que são capazes de utilizar qualquer artifício para enganar os eleitores. Imaginem do que serão capazes, se eleitos! Precisamos conhecer as propostas dos candidatos e saber distinguir política particularista da que se orienta para os reais interesses do município, o que é viável daquilo que não passa de promessa fantasiosa. Em cidades grandes, a imprensa é o melhor, se não o único, canal de informação para os eleitores. Entretanto, em cidades menores, é fácil conhecer a vida pregressa e o passado político de cada candidato, seus interesses, os grupos a que está ligado, a evolução do seu patrimônio, sua condição perante a justiça. Só não sabe quem não quer! É, meu caro eleitor, exercer a cidadania não é moleza não! Se quisermos votar direito, temos ainda que conhecer as competências do prefeito e dos vereadores para não engolir qualquer balela. Por exemplo, duas questões afligem os brasileiros: desemprego e segurança. Acenar com soluções para esses problemas é atrair eleitor na certa. Entretanto, é muito pouco o que um prefeito - vereador, então, nem se fale! - pode fazer para atacar o desemprego, pois este é decorrente da política econômica adotada pelo governo federal. Se o candidato prometer a criação de empregos, desconfie. Se prometer cargo público, denuncie. É tentativa de compra de voto, crime previsto pela lei eleitoral e passível de punição. A segurança pública é competência dos governos estaduais e, em alguns casos, do governo federal. Não compete ao município o combate direto à criminalidade, sua contribuição nesta área é pequena e indireta, o mais é pura demagogia. É responsabilidade do prefeito fazer bom uso do dinheiro público, zelando, entre outras coisas, pela educação básica, pelos centros de saúde, pelo saneamento básico, pela infra-estrutura do município, pelo transporte público, pela defesa do meio ambiente e, principalmente, pela prestação de contas de sua administração. Quanto aos vereadores compete apresentar projetos de lei de interesse público, que não entrem em conflito com a real vocação do município, e fiscalizar o poder executivo e a própria Câmara. Pelo que temos visto até agora, parece que os candidatos estão mais interessados em apresentar uma política-espetáculo do que propostas factíveis. E quanto a nós? Vamos continuar aplaudindo canastrões e pedindo bis, ou vamos exigir mais qualidade? Nota do Editor: Angelo Fonseca Nogueira Junior é de Caraguatatuba, SP - E-mail: angelonogueira@modulo.br.
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