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O câncer de mama é hoje a principal causa de morte por câncer entre as mulheres brasileiras. Segundo o Ministério da Saúde, a doença é diagnosticada tardiamente em cerca de 60% dos casos. Hoje (2), o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgam, no Rio de Janeiro, o Consenso de Mama. O documento traz as diretrizes básicas para uma política nacional de controle do câncer de mama. A novidade é que o auto-exame não será mais estimulado como forma isolada de prevenção, mas como medida paralela ao exame feito por profissional especializado e à mamografia. Uma pesquisa russa apresentada no IV Congresso Europeu sobre o câncer de mama, realizado na Alemanha este ano, apontou que o auto-exame não é eficaz. Segundo o Ministério da Saúde, as recomendações brasileiras estão alinhadas com os estudos internacionais. Em 2003, de acordo com dados do Inca, mais de nove mil mulheres morreram em decorrência da doença. E 41 mil novos casos foram registrados. Com as novas estratégias do Consenso, o Ministério pretende reduzir em pelo menos 20% as taxas de mortalidade por câncer de mama no Brasil. O mastologista Cézar Augusto Pigatto explica que quando o nódulo é verificado, já tem 0,5 centímetros e deve ter aproximadamente dois anos. "Não se consegue apalpar nada antes disso", diz. Mesmo assim, o médico continua a recomendar o auto-exame. "Algumas mulheres só procuram o médico quando sentem alguma coisa estranha, um nódulo", relata. Pigatto diz ainda que a política de saúde pública é desestimulante. "Às vezes, leva seis meses para uma mulher conseguir fazer a mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS)", enfatiza. Para o Ministério da Saúde, o diagnóstico precoce aumenta significativamente a perspectiva e a qualidade de vida das mulheres. A recomendação é que todas as mulheres com mais de 40 anos façam o exame clínico. A publicação do Consenso para controle do câncer de mama é voltada para profissionais da saúde. Para a população, será lançado um folheto com as principais perguntas e respostas sobre o tema. O material, na íntegra, estará disponível no site www.inca.gov.br.
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