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O Ministério da Saúde divulgou a lista dos dez medicamentos mais vendidos durante os três meses de funcionamento do Programa Farmácia Popular. Como a Sociedade Brasileira de Hipertensão já previa, seis entre esses dez são indicados ao tratamento da hipertensão arterial. Outros dois são indicados ao tratamento da diabetes, fator de risco aliado à hipertensão. O campeão de vendas é o Captopril 25mg, completando mais de 120 mil cartelas vendidas. Dentre os fatores que explicam esse fenômeno de vendas, a Sociedade Brasileira de Hipertensão cita a grande incidência da doença na população brasileira. Apesar da ausência de dados globais de prevalência, estima-se que 25% da população adulta seja hipertensa. Quando se fala em idosos, mais da metade apresenta a doença. São cerca de 30 milhões de brasileiros. Esses dados assemelham-se aos de países desenvolvidos, onde a hipertensão constitui-se verdadeira epidemia. Nos Estados Unidos, por exemplo, a última pesquisa, divulgada esta semana, registra 65 milhões de americanos hipertensos. Outro dado recente da Organização Mundial de Saúde aponta a doença como a terceira causa de morte no mundo. Aliado a isso está o fato de que, em 90% dos casos, a hipertensão não tem cura, devendo ser tratada pela vida inteira. O próprio tratamento apresenta características que também explicam a venda em larga escala desses remédios - nos casos mais graves é necessário o uso de dois, três e até quatro medicamentos diferentes. Paradoxalmente, essas também acabam sendo razões para que sete milhões de pessoas apenas continuem o tratamento da hipertensão arterial, segundo o Ministério da Saúde. Outra razão que pode explicar o sucesso de vendas de anti-hipertensivos nas Farmácias Populares assenta-se no fato de que muitos remédios já não são mais encontrados nas farmácias gratuitas do SUS, em vista do fim do programa "Hiperdia", que beneficiava a hipertensos e diabéticos, e que foi infelizmente interrompido desde a mudança de governo federal. Dicas da Sociedade Brasileira de Hipertensão para o uso correto de anti-hipertensivos Os anti-hipertensivos agem no organismo controlando a pressão. O ideal é mantê-la abaixo de 13 por 8. O uso dos remédios deve ser contínuo, diário, nas doses e nos horários recomendados pelo médico. A medicação não deve ser interrompida mesmo que a pressão já esteja controlada, caso contrário, o hipertenso estará sujeito à ocorrência de problemas graves como o derrame cerebral, infarto do miocárdio e a paralisação dos rins. Para não esquecer de tomá-los, siga as dicas abaixo: 1- Associe os horários de tomar os remédios com atividades como refeições (café da manhã, almoço, jantar), ir dormir ou acordar. 2- Mantenha os remédios em locais visíveis, próximos da geladeira ou da televisão, porém longe do alcance das crianças. 3- Não corra o risco de ficar sem os remédios, providenciando nova caixa antes que acabem. 4- Se possível, mantenha uma caixa de remédios em casa e outra no trabalho. Assim, se esquecer de tomar em casa, poderá fazê-lo no trabalho. Quando viajar, leve quantidade suficiente de remédios para o período que estiver fora. 5- Peça a familiares que o ajudem a lembrar os horários de tomar os remédios. Se são vários medicamentos a tomar, faça uma lista com nome, dose e horários de cada um e deixe-a fixada em local visível. 6- Já existe um aparelho semelhante a um relógio de pulso que pode ser programado para disparar um alarme com nome e horário de tomar cada remédio. 7- Nunca interrompa o tratamento por conta própria, seja porque o remédio acabou, porque a pressão está controlada ou porque vai viajar. 8- Caso sinta algo diferente com o uso dos remédios, consulte seu médico.
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