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Na véspera do terceiro aniversário do ataque terrorista de 11 de setembro nos Estados Unidos, o Greenpeace alerta o Congresso Nacional para a vulnerabilidade da usina nuclear de Angra 2. Um relatório do governo da Alemanha revela que o impacto de um avião comercial em uma usina nuclear alemã similar à brasileira Angra 2 poderia destruir o prédio do reator e causar uma reação nuclear fora de controle. Com as recentes ameaças divulgadas por grupos terroristas, centrais nucleares passaram a fazer parte da lista de potenciais alvos de ataque. "Há seis meses todas as agências de energia nuclear no mundo, inclusive a brasileira CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), receberam esse relatório de alerta sobre a vulnerabilidade de usinas nucleares mediante ameaças terroristas. Será que CNEN estaria preparada para agir no caso de um ataque desses?", questiona Sérgio Dialetachi, coordenador da campanha de Energia do Greenpeace Brasil. O relatório confidencial elaborado pela GAR - organização técnico-científica alemã de segurança de reatores (1) - para o Ministério de Meio Ambiente da Alemanha tinha como objetivo avaliar a vulnerabilidade de 18 reatores nucleares alemães diante de um ataque terrorista como o ocorrido nos Estados Unidos. Comentando o relatório, Wolfram Konig, chefe da Agência Alemã de Proteção a Radiação (BfS) disse que cinco das 18 usinas deveriam ser desativadas por falta de segurança. Uma dessas cinco é a usina nuclear de Biblis, que é similar à Angra 2 e à proposta de Angra 3 (2). Konig também criticou fortemente a indústria nuclear por não ter agido com responsabilidade às ameaças apresentadas por eventos com o de 11 de Setembro. O estudo levou em consideração cenários envolvendo aviões de grande porte, como o Boeing 747 ou Airbus A340, utilizados nas rotas transcontinentais, e o Airbus 320, empregado nas nacionais. Todos os equipamentos - que são similares aos que operam no espaço aéreo brasileiro - geram danos estruturais no edifício do reator principal, causando possível perda de controle da fusão nuclear e até mesmo perda de controle total da usina. "Investir numa usina nuclear no Brasil vai na contramão do bom senso e uso apropriado de recursos públicos. Esperamos que tanto o presidente Lula quanto o Congresso Nacional enterrem de uma vez por todas os planos para construção de Angra 3 e toda a aventura nuclear brasileira. Precisamos promover o desenvolvimento sustentável do País por meio das fontes de energia renováveis como eólica, biomassa, solar e de pequenas hidroelétricas", afirmou Dialetachi.
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