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COLUNISTA
Deusdith Velloso
08/10/2008 - 17h03
Conhecimento, língua e linguagem
 
 

Pedro Álvares Cabral, para chegar ao Brasil teve a capacidade de estabelecer relações entre os diferentes saberes da época e aplicar um pensar transdisciplinar e ter coragem de desafiar as incertezas e as crendices de “fim do mundo.”

Os povos que aqui encontrou tinham uma cultura completamente diferente da sua, falavam uma língua totalmente diferente, mesmo assim, eles conseguiram trocar conhecimentos sobre alimentação, pesca, caça, habitação, enfim, necessidades do dia-a-dia.

Ao longo da história da humanidade encontraremos infinitos casos semelhantes a este mas isto não é obra do acaso. Mesmo porque o homem traz na sua estrutura um modo de se inserir e evoluir no ambiente e se comportar de forma transdisciplinar, tal como a natureza biofísica e cósmica se comporta. Também é sabido que resolvemos os nossos problemas da vida de forma transdisciplinar. Sabemos que a ciência especializada não explica a vida. Esta só adquire sentido ao ser contextualizada através de todos os saberes acumulados, contribuindo, respeitando e sendo respeitado pelas diferenças individuais e grupais para criar uma visão contextualizada do conhecimento, da vida e do mundo. É necessário que a lógica da vida permita cruzamentos de diferentes olhares, construindo-se um sistema sempre aberto e que nos permita compreender, principalmente, os fenômenos sociais e políticos para construir um novo conhecimento que encontre as soluções que necessitamos para a vida dos seres humanos e do planeta. Estas experiências mostram que na vida somos todos transdisciplinares mas quando colocamos os pés nas salas de aula, somos disciplinares. Você já observou que ser professor é uma identidade menosprezada, mas ser biólogo ou químico ou matemático, ou historiador são identidades valorizadas?

Se você quer saber o motivo destas questões preste atenção no seguinte:

Toda escola deveria ser um espaço apropriado para o desenvolvimento integral dos seres humanos, mas algumas escolas são apenas um espaço disciplinar em todos os sentidos. Ela tem um currículo organizado por disciplinas. Quando digo a escola estou me referindo a todos os níveis de escolaridade, até o superior.

Esta organização da escola foi pensada por Descartes (1596-1650). Este método por disciplinas passou a organizar todo o sistema social e educacional e conformou o Modo de Pensar dos homens nos últimos 400 anos. Os princípios Cartesianos são: fragmentação, descontextualização, simplificação, redução, objetivismo e dualismo. Esse modo Cartesiano de ser direciona para o que é objetivo e racional, desconsiderando as outras dimensões da vida como a emoção, o sentimento, a intuição, a sensibilidade, e a corporeidade.

A vida não é somente preto e branco existe todas as demais cores tão importantes quanto o preto e branco. O fundamental é que de duas cores podemos conseguir várias outras, ou uma terceira. Esta Cultura Cartesiana é tão forte que o Mundo Desenvolvido para sair desta forma reducionista vem organizando as escolas de Educação Infantil e Fundamental em ambientes próprios para a educação transdisciplinar. Este trabalho vem apresentando resultados surpreendentes para as empresas que no mundo atual desejam inovação em suas marcas para alargar os mercados e responder as demandas das necessidades da vida atual. Nota-se que é a economia e o mercado que vão mudar as Universidades do modo cartesiano de organização para o pensamento da forma transdisciplinar que se harmoniza com o mundo o planeta e as necessidades do homem na atualidade.

E você como está vendo a escola de seu filho?

Pare e reflita sobre ela. Estamos próximos a 2009. Em pleno século XXI. A Folha de São Paulo de 28/09/08 trouxe um caderno Especial. ”Escolha a escola de seu filho” 50 pais de várias profissões e diferentes níveis de escolaridade contaram como escolheram a escola de seus filhos. Lendo esta matéria confirmei a minha antiga opinião. A História da Educação deve estar presente no currículo de todos os níveis de escolaridade. É preciso conhecer um pouco a história daquilo que estamos fazendo o tempo todo sem saber porque. Por exemplo: uma escola bilíngüe é melhor que uma escola monolíngüe? Não sabemos porque vai depender de muitos fatores que não estão colocados aqui. O que as pesquisas mostraram é que o desenvolvimento das habilidades para aprender línguas é maior em crianças bilíngües. A qualidade do ensino oferecido pela escola não está garantido simplesmente por ela ser ou não bilíngüe. Este foi um item que mobilizou várias escolhas. Não estou questionando a forma como os pais escolheram as escolas de seus filhos, porém como a matéria não esclarecia pontos importantes da escolha resolvi mostrar, aqui, um ponto apenas, mas que faz muita diferença no critério de qualidade uma escola. Todas as pessoas deveriam aprender sobre Educação até para poder escolher a escola de seus filhos ou poder exigir dos governantes escolas públicas de qualidade para que o Brasil possa ter um futuro melhor para a maioria das pessoas.

Para encerrar esta conversa quero lembrar que já falei em outras ocasiões que a conversa é a melhor forma de aprender porque toda conversa é interativa e desperta opiniões diferentes. O espaço do UbaWeb é uma excelente iniciativa do seu criador para colaborar com a melhoria da qualidade do ensino. Só depende de ser levado para as salas de aulas e se realizar um trabalho com os alunos. Fica a sugestão.


Nota do Editor: Deusdith Bueno Velloso, nascida em Ubatuba, é professora aposentada, formada em Letras e Pedagogia e Mestre em Comunicação Social.
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