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Menores custos com tratamentos permitirão aumentar repasse aos médicos.
Planos de saúde em crise, médicos descontentes e pacientes desorientados. Muitos confessam que dá até medo ficar doente hoje em dia. "Uma das razões para a crise instaurada pode ser o fato de não estarmos falando de planos de saúde, mas de planos de doença. Hoje, entre 70% e 80% do que uma seguradora arrecada de seus associados é distribuído de modo a repassar 10% para médicos, 50% para os hospitais e 25% para os laboratórios. Os 15% restantes são destinados a cobrir outras despesas médicas. Os tradicionais custos administrativos e comerciais das fontes pagadoras são estimados entre 20% e 30%", diz o superintendente do Hospital Santa Paula, Isaac Gil. Especialista em administração hospitalar, Gil reconhece a atitude dos médicos como resposta ao insuficiente repasse das seguradoras. "Em média, ao atender um paciente conveniado, um médico recebe R$ 25,00 - mais ou menos o mesmo que se paga em um salão de cabeleireiro para lavar e cortar o cabelo. Mas entendo que só será possível aumentar o repasse aos médicos quando houver menos doentes necessitando de tratamentos e internações dispendiosos, ou seja, quando atuarmos fortemente na prevenção de doenças. É muito mais barato cuidar da saúde do que da doença". Campanhas de prevenção empreendidas pelas próprias seguradoras, alertas periódicos enviados aos pacientes - lembrando-os de que já é tempo de repetir exames como mamografia, papanicolau e dosagem de PSA - e programas de medicina preventiva focando principalmente as populações de risco, como obesos, diabéticos e cardiopatas, são exemplos pinçados pelo executivo do Hospital Santa Paula. "A medicina de família também deverá atuar fortemente na prevenção de doenças. A nosso ver, sempre haverá pessoas necessitando de tratamento especializado, mas quanto mais cedo conseguirmos detectar e tratar as doenças, menos onerosas resultarão". Fonte: Dr. Isaac Gil, Superintendente do Hospital Santa Paula.
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