|
O que é? A dislexia é um distúrbio que acomete pessoas que tem dificuldade na leitura e conseqüentemente na escrita. Estudos recentes apontam para uma causa hereditária, com alterações genéticas (há relação com alguns cromossomos humanos) e no padrão neurológico. Há ainda outra vertente que cataloga a dislexia como uma doença. O fato é que há uma alteração nos circuitos cerebrais, no lobo parietal ou temporal do cérebro. Este distúrbio geralmente é detectado na época da alfabetização quando estas dificuldades ficam mais evidentes. De acordo com a ABD (Associação Brasileira de Dislexia) há cerca de 10 a 15 % de disléxicos no mundo. A incidência é maior em meninos na proporção de 3/1. A palavra dislexia vem de dis = distúrbio e lexia que, em grego, quer dizer linguagem e, em latim, leitura, portanto, dislexia é um distúrbio de linguagem e/ou leitura. O cérebro e a linguagem Sabemos que a área esquerda do cérebro é responsável pela linguagem, onde em três sub-áreas são processados os fonemas, classificadas as palavras e identificadas. Essas sub-áreas trabalham juntas permitindo que o processo de leitura e escrita ocorra sem obstáculos maiores. Após a aquisição dessas habilidades, toda essa informação acaba sendo "salva" em uma área de memória permanente que possibilitará o reconhecimento e reprodução das mesmas. Fato que com o decorrer do tempo exigirá cada vez menos esforço, automatizando-se. O cérebro dos disléxicos, possui falhas na conexão dessas áreas funcionando de forma diferente. No processo de leitura, os disléxicos utilizam apenas a área que processa os fonemas dificultando a discriminação entre fonemas (sons emitidos) e sílabas (subdivisão das palavras). Por isso, a criança disléxica não consegue reconhecer palavras que já tenha lido ou estudado. A leitura acaba exigindo um esforço excessivo, pois a cada novo desafio, é necessário se recuperar os anteriores, pois ela não reconhece como já visto. Sinais Comportamentos que podem levar a um diagnóstico - Desinteresse pelos livros - Discurso truncado - A criança não consegue finalizar um raciocínio, ou uma história - Letra quase ilegível - Troca de fonemas ou sílabas - Falta de atenção - Atraso no desenvolvimento verbal - Dificuldade na percepção, aquisição e memorização de sons similares - Rimas e canções - Coordenação motora fina e grossa fracas - Dificuldade em realização de jogos espaciais como quebra-cabeças por exemplo - Desorganização com seu material - Vocabulário pobre - Disnomia -Dificuldade em nomear objetos e pessoas Se nessa fase a criança não for acompanhada adequadamente, os sintomas persistirão e irão permear a fase adulta, com possíveis prejuízos emocionais, além de sociais e laborais. Diagnóstico A presença de um ou mais sintomas descritos acima não dão o diagnóstico por si só. A criança deve apresentar a maioria deles e por um longo período de tempo. O diagnóstico correto só será dado após minuciosa pesquisa por uma equipe multidisciplinar que inclui: fonoaudióloga, psicopedagoga clínica, neurologista, oftalmologista, otorrinolaringologista dentre outros. O diagnóstico é feito por exclusão. Há ainda outros distúrbios que podem ser confundidos e que também podem estar ocorrendo conjunta ou separadamente como a Hiperatividade ou ainda, déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas ou adquiridas), desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso, déficit de atenção, a hiperatividade, DAAH - Déficit e Atenção e Aprendizagem com Hiperatividade. Pessoas com alterações do processamento auditivo também podem apresentar problemas de aprendizagem na leitura e/ou da escrita, e/ou problemas comportamentais e emocionais como baixa auto-estima. Auto-estima É muito importante que professores, educadores e pais estejam atentos para que a detecção seja feita o quanto antes, pois caso contrário a criança pode entrar em um processo de sofrimento por se achar menos capaz ou inteligente o que pode prolongar ainda mais o tratamento. É muito comum essas crianças serem rotuladas como preguiçosas, dispersas e sonhadoras quando na verdade há um problema a ser tratado. Tratamento Para a dislexia não há cura, mas sim tratamento. Ele pode durar de dois a cinco anos. O trabalho é feito utilizando-se dos sentidos, pois o disléxico responde muito bem a esse procedimento. O tratamento deve ser gradativo. Fixando-se bem uma etapa antes de passar a seguinte. É o chamado sistema Multissensorial, cumulativo e sistemático. Um exemplo é gravar o que se fala e em seguida ouvir e ler ao mesmo tempo. Cada paciente pode adaptar-se melhor a um determinado tratamento, por isso não há um tratamento padrão. Deve-se treinar a acuidade visual e auditiva. Tudo o que é amplamente vivido é satisfatoriamente assimilado. Disléxicos famosos Os disléxicos, muitas vezes surpreendem por sua inteligência e capacidade em superar suas dificuldades. Tom Cruise decora seus textos utilizando um gravador. Walt Disney, outro disléxico famoso, foi expulso pelo dono de uma agência de publicidade com a frase: "DESISTA, pois você não tem futuro..." ao apresentar seu ratinho Mickey Mouse. Albert Einstein deixava seus pais enlouquecidos pelo trabalho que dava na escola e por seu baixo rendimento escolar. Segundo seus professores ele deveria ter algum retardo mental, pois era lento e disperso. Um tio apresentou-lhe a matemática, onde desenvolveu-se e tornou-se gênio. Acabou ganhando Nobel em Física. O disléxico não é menos inteligente que os demais, pelo contrário, pesquisas mostram que muitos deles possuem um grau normal ou até superior do que a maior parte da população. Muitas vezes, os disléxicos acabam sendo melhor sucedidos pela própria maneira como aprendem o que leva um desenvolvimento maior da criatividade. Concluímos que a dislexia é um problema comum e freqüente e que cabe a nós, pais e educadores detectar para proporcionar o quanto antes uma qualidade de vida melhor aos disléxicos. Nota do Editor: Karen Kaufmann Sacchetto é pedagoga e diretora da Escola São Gabriel, rua Padre Chico, 552, Pompéia, São Paulo (SP).
|