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Medicina e Saúde
24/09/2004 - 13h02
Orelhas de abano
 
 
Complexo em relação à estética pode ser facilmente resolvido.

Cinco por cento das pessoas de raça branca apresentam orelhas protuberantes, popularmente chamadas de orelhas de abano. Destas, 59% herdaram a característica dos pais. "As orelhas proeminentes não costumam afetar a auto-estima das crianças até que elas atinjam cinco ou seis anos. É a partir dessa idade, quando os comentários feitos por coleguinhas da escola passam a ter um peso maior, que as brincadeiras de mau gosto com relação às características físicas se tornam mais cruéis e chegam a comprometer o bem-estar geral da criança", diz o doutor Marcos Grillo, membro especialista e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Grillo diz que o problema pode ser facilmente corrigido através da otoplastia, uma cirurgia plástica que dura, na maioria das vezes, menos de uma hora. E que apresenta excelentes resultados. "A otoplastia geralmente é realizada em crianças com idade entre sete e 14 anos. Uma vez que aos sete anos não há mais perigo de afetar o centro de crescimento da cartilagem auricular, quanto mais cedo ocorrer a cirurgia, menores serão os problemas psicológicos que a criança terá de enfrentar. Mas é recomendável que os pais somente optem pela cirurgia quando (e se) a criança expressar seu descontentamento".

Crianças que manifestam espontaneamente sua vontade de mudar, normalmente cooperam mais durante o procedimento e toleram melhor a recuperação. Segundo o cirurgião plástico, a otoplastia geralmente é realizada em ambiente hospitalar. "Como a maioria dos casos dispensa internação, pode ser realizada num Day Hospital ou ainda em clínica de cirurgia plástica. A anestesia local é utilizada na grande maioria dos casos, sempre assistida por um anestesista. Crianças mais agitadas podem receber também um sedativo para relaxar".

Durante a otoplastia, o cirurgião faz uma pequena incisão na parte de trás da orelha, a fim de alcançar a cartilagem. Então, ele esculpe a cartilagem de modo a aproximá-la mais da cabeça. Pontos não removíveis podem ser usados para ajudar a manter o novo formato. Ocasionalmente, o cirurgião poderá optar por retirar uma parte maior de cartilagem, de forma a alcançar um resultado mais natural.

Em poucos dias a criança está totalmente recuperada da cirurgia, usando apenas uma bandagem para proteger as orelhas. Após uma semana, pode retornar às aulas, tomando cuidado apenas durante as brincadeiras em playground.

"Para quem está avaliando se deve ou não passar pela cirurgia, o importante é ter sempre em mente que o objetivo maior é o aperfeiçoamento, não a perfeição", diz Marcos Grillo.


Fonte: Dr Marcos Grillo, PhD em Cirurgia Plástica, Membro Especialista e Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

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