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Portadores de DPOC já contam com tratamentos adequados para o controle da doença e o resgate da qualidade de vida.
Uma orientação adequada aliada à utilização de medicamentos específicos para o controle dos sintomas e o apoio da família, possibilita ao portador da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica o resgate da qualidade de vida, a recuperação da auto-estima e a adoção de um estilo de vida normal. Segundo estatísticas nacionais, nunca houve um contingente de idosos tão grande no Brasil e no mundo e, a cada ano, com os avanços na Medicina, melhoram as possibilidades do aumento da expectativa de vida do ser humano. Aliado a essa nova realidade de longevidade, a sociedade também tem se preocupado, cada vez mais em assegurar os direitos e o bem-estar do idoso. À medida que a idade avança, o ser humano passa a conviver com mudanças orgânicas que interferem diretamente no estilo de vida, e muitas delas, quando associadas a algumas doenças crônicas típicas da terceira idade, contribuem para a exclusão social. No entanto, hoje, muitas destas doenças e transformações podem ser controladas a ponto de devolver a auto-estima do idoso e, sobretudo, a qualidade de vida. Muito freqüente, com quadros graves, porém pouco diagnosticada, a DPOC - Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, apresenta números assustadores: já é a quarta causa de mortalidade no mundo e a sétima no Brasil, sendo a grande maioria dos pacientes, pessoas com mais de 40 anos de idade. No entanto, o que poucos sabem é que, quando diagnosticada correta e tratada adequadamente, com suporte familiar, pode ser controlada assim como a hipertensão e o diabetes e, com isso, possibilita o convívio social e a melhora da qualidade de vida. O público da terceira idade é que mais deve estar atento aos sintomas da DPOC, uma vez que, por serem muito simples, podem facilmente ser confundidos com outras doenças ou ainda desvalorizados e atribuídos à idade avançada. "Os idosos estão mais sujeitos ao desenvolvimento da doença. Por surgir após longo período de exposição do pulmão ao agente agressivo (o mais comum é o cigarro), conseqüentemente, a DPOC se manifesta em idades mais avançadas", esclarece a pneumologista do Hospital e Maternidade São Luiz, Iara Nely Fiks. Para se ter uma idéia da incidência da doença na terceira idade, calcula-se que cerca de 6% a 15% da população brasileira com mais de 40 anos têm DPOC. Segundo estatísticas do SUS - Sistema Único de Saúde, quando se considera o volume de internações nesse público, a DPOC está em segundo lugar no ranking dos gastos com hospitalizações das doenças do aparelho respiratório. Diante deste cenário, com números alarmantes, os especialistas alertam para o diagnóstico precoce da doença e, sobretudo, para a adoção de um tratamento eficaz que minimize o impacto da doença e proporcione maior bem-estar no dia-a-dia do portador de DPOC e sua família. "A grande limitação destes pacientes é a falta de ar para realizar esforços físicos. Nos casos iniciais este sintoma pode passar desapercebido, porém, com a perda progressiva da função pulmonar, o indivíduo passa a conviver com limitações severas das atividades diárias, dependendo da família para tomar banho, alimentar-se, entre outras atividades de rotina", alerta a pneumologista. Uma vez diagnosticada a DPOC, o fator determinante no curso da doença é a retirada do fator de risco, isto é: parar de fumar! "Retirado o fator de risco, a abordagem tem mais três etapas: 1- otimizar a medicação com o uso de broncodilatadores principalmente. Hoje dispomos de medicamentos desenvolvidos especificamente para o tratamento da DPOC. O brometo de tiotrópio é um broncodilatador que possui excelente atuação e melhora muito a falta de ar. Pode ser utilizado também em combinação com outros medicamentos com o objetivo de maximizar a função pulmonar, diminuindo assim a falta de ar. 2- avaliar a necessidade de suplementação de oxigênio, realizada pelo médico e 3- reabilitação pulmonar, que são exercícios físicos direcionados ao paciente portador de DPOC, que melhoram significativamente a qualidade de vida", esclarece a especialista. De acordo com ela, o tratamento da DPOC deve ser pensado como uma mudança importante de velhos hábitos com o objetivo de melhorar a qualidade de vida, envolvendo inclusive a família do paciente. "A maioria dos portadores da doença assiste o declínio progressivo da qualidade de vida sem se dar conta que poderiam mudar o rumo das coisas. Após o diagnóstico, se tratadas as doenças associadas (quando existirem), se retirado o fator de risco e forem introduzidos os broncodilatadores, o paciente deve ser estimulado a praticar todas as atividades físicas que puder, freqüentar ambientes sociais, festas, museus, enfim, voltar ao convívio social e familiar. O tratamento adequado devolve ao paciente a independência e a capacidade de realizar as atividades que lhe tragam prazer", aconselha. Por muito tempo a DPOC foi considerada uma doença onde não havia nada para se oferecer ao paciente. Atualmente, muito pode ser feito, mesmo sem poder oferecer a cura. "O tratamento adequado previne as exacerbações e quebra o ciclo das múltiplas internações, com todo o desgaste que acompanha um paciente hospitalizado. A informação correta dada ao paciente e sua família, a medicação otimizada, a reabilitação pulmonar e o auxílio multiprofissional de psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas fazem do tratamento da DPOC um dos resultados mais gratificantes no dia a dia do consultório. O paciente ganha independência e auto-estima, recupera valores que considerava perdidos, restabelece laços de família e sociais, ganha qualidade de vida no sentido mais amplo. A doença ainda não tem cura, porém pode ser controlada e permite que o paciente leve uma vida normal. Isto é fundamental para a qualidade de vida e para a conscientização da sociedade!", finaliza.
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