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Problemas vasculares e câncer são algumas das conseqüências sérias.
O caso do estudante Jackson Vieira de Souza, 21 anos, que morreu de falência múltipla de órgãos ao ingerir mistura de anabolizantes para animais e complementos vitamínicos, comprova o perigo do uso indiscriminado de hormônios. O principal risco, explica o cirurgião vascular Kasuo Miyake (SP), é a utilização de hormônios pensando apenas nos efeitos estéticos (como o aumento rápido da massa muscular), esquecendo-se das conseqüências de longo prazo dessas substâncias. O perigo vale também para hormônios femininos, encontrados em pílulas anticoncepcionais e medicamentos de reposição hormonal para mulheres na menopausa. Entre os riscos estão o aumento nas varizes até a TVP (trombose venosa profunda, que é a formação de coágulos nas veias profundas das pernas). "Os cóagulos da TVP podem se deslocar para o pulmão, causando embolia pulmonar, muitas vezes fatal. Há ainda o perigo de aumento da incidência de determinados tipos de câncer (como o de fígado e de mama)", explica Miyake. A testosterona pode causar masculinização na mulher e atrofia testicular nos homens. Tais hormônios têm resultados tentadores, como o aumento de massa muscular, disposição e libido, além de efeitos terapêuticos, como o alívio de sintomas de menopausa nas mulheres. Mas o médico avisa que nenhum hormônio pode ser tomado sem o acompanhamento médico, que pode avaliar o quadro clínico do paciente e os prós e contras da ingestão hormonal em cada caso. "No caso de reposição hormonal na menopausa, por exemplo, o ginecologista precisa avaliar o histórico familiar da paciente: se há casos de câncer de mama e também tendência a problemas como varizes ou trombose", diz Miyake.
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