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Medicina e Saúde
27/09/2004 - 08h05
Doenças do coração
 
 
Riscos iguais para homens e mulheres após a menopausa.

Graças à eficiência das campanhas de prevenção, as mulheres brasileiras estão assimilando a importância de ir ao ginecologista todo ano para fazer os exames de mama e papanicolau. Nem toda mulher vai ao cardiologista periodicamente após os 40 anos, e, no entanto, o infarto é a principal causa de óbitos entre a população feminina. Nos EUA, mais de 230 mil mulheres morrem a cada ano devido a doenças cardiovasculares. No Brasil, ainda não há dados epidemiológicos consistentes sobre o tema, mas, só no Estado de São Paulo, foram mais de 33 mil óbitos registrados em 2001, o dobro do número de mortes por câncer.

A idéia de que homens são mais suscetíveis à coronariopatia é um equívoco, de acordo com a cardiologista Paola Smanio, do Fleury - Centro de Medicina Diagnóstica. O risco de desenvolver doenças cardiovasculares é de 25% para as mulheres de 40 anos e passa para 50% após a menopausa - risco equivalente ao da população masculina. As causas são a falta dos hormônios que produzem o ciclo menstrual, somada ao fato de que as mulheres, hoje, estão expostas a fatores de risco - como estresse, sedentarismo, tabagismo e má alimentação - tanto quanto os homens.

Membro da Sociedade Americana de Cardiologia Nuclear, Paola foi a única especialista estrangeira a integrar um consenso que avaliou a incidência de doenças cardíacas na população feminina global. Em novembro, ela defenderá uma tese de doutorado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) que revela um alto índice de coronariopatias entre mulheres com mais de 50 anos e diabetes assintomática. "A tríade mulher-menopausa-diabetes é sinônimo de investigação cardiológica", afirma a médica. Num estudo com 120 mulheres que apresentavam esse perfil, a médica detectou doença coronária grave em 38% delas. "Algumas já tinham até sofrido infarto sem saber, já que a diabetes muitas vezes faz com que a pessoa não sinta dor", conta. A avaliação foi feita com exames de cateterismo, ergométrico e de medicina nuclear. "O teste ergométrico e o eletrocardiograma sozinhos podem não acusar a doença", explica.

A médica do Fleury nota que as mulheres dão prioridade à família, o coração do marido, muitas vezes deixando para ir ao médico quando é tarde demais. "Por isso, o prognóstico costuma ser pior em comparação com os pacientes do sexo masculino". Estima-se que 63% das mulheres que morrem subitamente devido a doenças coronarianas não apresentam sintomas prévios. Em outras palavras, a prevenção é a única forma de evitar o pior.

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