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Crônicas
29/09/2004 - 11h02
Zeus e o homem
Douglas Mondo
 

A história quando narrada com qualidade inerente à sua própria grandiosidade e enriquecida pelo imaginário popular, com forma de consciência poética, sempre levará a humanidade à criação dos mitos que a compõem.

Nessa hora haverá a confusão entre realidade e ficção, com personagens lendários tomando o papel histórico dos homens reais e a cultura humana, por isso mesmo, tornar-se-á a maior dádiva da vida da própria humanidade.

Quando todo esse conhecimento humano é dividido entre os povos que habitam o planeta, temos uma riqueza como jamais poderíamos desejar, pois todo esse conjunto de valores materiais e espirituais, guardadas suas próprias características, formam a cultura desses mesmos povos.

Saber respeitar e admirar essas culturas, sem querer determinar a supremacia de uma sobre outra, já que não há melhor ou pior, é a tão procurada chave que abre a caixa da evolução humana.

Diz antiga lenda grega, que Zeus ao destruir os deuses que dominavam o mundo, deparou-se com Prometeu que deles descendia e que acabara de moldar em argila imagens semelhantes aos seus antepassados e após receber o sopro divino da deusa Atená, originou a espécie humana.

Zeus, irritado com a presença dos humanos na Terra, já que não fora ele quem os criara, negou-lhes a utilização do fogo. Prometeu, às escondidas, entregou-lhes tal presente como um grande segredo da natureza.

Como vingança, Zeus mandou-lhe Pandora, uma belíssima virgem, mas ausente de alma humana, portando uma caixa contendo inúmeros males.

Epimeteu, irmão de Prometeu, não sabendo da vingança de Zeus, recebeu com carinho a linda Pandora e ao abrir tal caixa, espalhou seus males sobre a Terra.

A partir de tal data, os homens passaram a conhecer todos os vícios e males que os assolam, sentindo na desesperança a grande sustentação da existência humana.

Inicialmente cumpre ressaltar, que o mito da criação humana sem o desejo da concepção vai ao encontro da citada lenda grega e também da história narrada pelo antigo testamento, quando o prazer do encontro carnal entre o homem e a mulher ocasionou a expulsão de ambos do paraíso.

Talvez esse seja o grande mal da caixa de Pandora, acreditar que o prazer da união entre um homem e uma mulher seja sua própria destruição. Ou indo além, a existência humana é o calabouço que esconde seu próprio fim, pelo simples fato de existir, já que a morte do homem é inevitável.

Essa visão restrita da caixa de Pandora, na verdade apenas leva a uma interpretação mesquinha da existência da humanidade, já que isola o homem e a mulher na concepção do prazer desassociado do acasalamento humano.

Por outro lado, se o mal maior for a destruição da humanidade pela sua própria existência, temos que as culturas humanas levam ao desejo final de que o apocalipse é o grande objetivo do homem.

Talvez aí resida a irracionalidade humana. O berço das idéias preconcebidas.

Nesse início de século, com algumas culturas humanas vivendo a Era das Estrelas, ao passo que outras ainda vivem na Era das Cavernas, estamos todos nos deparando com os contrastes no modo e maneira de viver, inclusive com o acesso ao fogo outorgado por Prometeu.

O presente de Prometeu foi dado a toda humanidade, sendo que esta, no decorrer de sua existência acabou por concentrá-lo nas mãos de alguns em detrimento de outros, o que ocasionou a distribuição generalizada dos males da caixa de Pandora.

Caminhar rumo à evolução humana é saber reconhecer as diferentes culturas como nossa maior dádiva, como nosso maior tesouro, respeitando-o como o verdadeiro presente de Prometeu. E a caixa de Pandora, na verdade guarda apenas a inveja de Zeus, sua própria intolerância com nossa existência que é maior que seu pequeno desejo apocalíptico de final da humanidade.

O importante é que somos reais. Zeus é apenas uma lenda.


Nota do Editor: Douglas Mondo é advogado, escritor e presidente da Tv Japi Mais.
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