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COLUNISTA
Carlos Rizzo
25/12/2008 - 09h00
Do gugu-dada a Pavarotti
 
 
 
Carlos Rizzo 
  Sabiá-una - Turdus flavipes.

Quem diria.

Pesquisadores descobriram que determinadas aves usam o mesmo sistema que os humanos usam para aprenderem a falar, que no caso delas é a cantar.

Aquele chilrear típico dos filhotes das aves é o mesmo que o gugu-dadá das crianças humanas. Os pesquisadores descobriram que existe um encadeamento de exercícios vocais que vão treinando o cérebro a falar, ou cantar.

No caso das aves eles determinaram três fases do desenvolvimento: a que poderíamos chamar de "gugu-dadá" (de 30 a 45 dias depois do nascimento), quando os sons que produzem são um balbucio desordenado; a de "juvenil" (de 45 a 80 dias de vida), quando os filhotes começam a dominar o canto, mas ainda o empregam de forma muito variável; e, finalmente, a de adulto, na qual o canto é altamente estruturado e estereotipado.

Na fase adulta, as aves seguem seqüências precisas de sons, com "refrão" e "estrofes" que se repetem de forma padronizada.

Algumas aves saem realmente do gugu-dada e chegam a verdadeiros pavarottis.

Certa vez João Gilberto reclamou de um sabiá que cantava desafinado, melhor, fora do padrão, pois quem canta “desafinado” é o próprio reclamante. Pode acontecer de algum filhote pular alguma fase do seu desenvolvimento e o resultado sempre é desastroso aos ouvidos apurados.

Interessante que algumas aves estão afinadas e entrosadas quando iniciam sua temporada de canto, mas a convivência com outras espécies vai deturpando o canto original de tal forma que, no final da temporada, ninguém reconhece a trilha sonora original.

O sabiá-una é assim, até parece que ele faz ao contrário, começa um verdadeiro Pavarotti e termina num destrambelhado gugu-dadá. Ainda bem que a temporada dele já acabou e o sabiá-una parou de cantar, não agüentava mais ouvir e miscelânea que se transformou o seu lindo canto original.


Nota do Editor: Carlos Augusto Rizzo mora em Ubatuba desde 1980, sendo marceneiro e escritor. Como escritor, publicou "Vocabulário Tupi-guarani", "O Falar Caiçara" em parceria com João Barreto e "Checklist to Birdwatching". Montou uma pequena editora que vem publicando suas obras e as de outros autores.
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