|
A Revolução Tecnológica continua a fazer gato e sapato da mídia tradicional. E esta, para piorar um pouco a sua situação de vilão nesse vídeo interativo, continua em sua tentativa de esconder verdades nascentes. A comercialização de arte enfrenta seu primeiro tradeoff no milênio e o jornalismo cultural dá uma de avestruz e, na política, as campanhas eleitorais que desfilaram vão trazer apenas um derrotado: o marketeiro inspirador. O grande exemplo da afirmação que intitula este texto é o lançamento do CD do ex-mutante Arnaldo Baptista. Como não interessava a certos interesses flagrantes entre os donos da mídia e a Indústria Fonográfica, a desinformação começou por Belo Horizonte, local onde aconteceu a comemoração de lançamento do produto. O fato, com a presença de Arnaldo, Lobão, dos produtores e demais pessoas envolvidas no esforço de resgate, teve lugar no Restaurante Xapurí exatamente num domingo a tarde. Deu na "Folha de São Paulo", com foto e tudo mais. Na Imprensa local, nenhuma linha sobre o lançamento e produto até a agência do diário Paulistano distribuir resenha sobre o ocorrido. É bom ressaltar que a revista "Outras Palavras", que traz o CD encartado, não é encontrada em nenhuma banca da Região Metropolitana da Capital Mineira. Mesmo assim, não existe justificativa cabível para a ignorância ao evento, se partirmos da premissa de que alguém sabia que o lance ia ocorrer, pois a "Folha" esteve presente e documentou. Lá fora, a Apple dá uma lição de novidade ao segmento de comercialização de fonogramas e tenta ensinar o caminho das pedras para a irmã mais velha. Os esforços não estão adiantando nada, desde quando a Indústria Fonográfica, em vez de executar uma cooptação vantajosa, processou e exterminou o Napster, numa atitude afrontosa de cegueira corporativa. Está provado que a chamada "crise do CD" tem origem em seu preço de venda. E, com as respostas que vem perpetrando em questões completamente fúteis, a própria indústria coloca combustível no veículo pirataria. Como o que é de gosto regala a vida, toda a RIAA e suas congêneres vão morrer pastando e gostando de comer capim. Resumindo: a reformulação da comercialização de arte vai ser uma prova cabal de tudo o que Alvin Toffler vem escrevendo sobre para onde a nova sociedade se dirige. No mercado editorial, seus Tycoons alegam custos excessivos e tentam cumprir um suplemento bimestral de lançamentos, baseado em critérios nebulosos de marketing, amplamente denunciados pelos círculos literários envolvidos, com contraprovas para todas as desculpas dos editores. Eles só esquecem de revelar as verbas recebidas dos executivos Federal e Estaduais quando da compra por estes de material didático para as redes Federal e Estaduais de ensino. Assim fica o dito pelo não dito, pois o imobilismo em relação ao marketing de recuperação de espaços é uma realidade. Já na mídia eletrônica a crise não é de veículos e sim de sustentação e liderança. Os líderes são os mesmos de há dez anos atrás, sustentados pelo circulo vicioso existente em se expor no vídeo e ser exposto numa banca de jornal como produto concreto. Vivemos o apogeu das pequenas personalidades, não muito chiques e forçando a barra para serem famosas. Estamos nos estertores. Seja como receptores, seja como espectadores. Não há nada mais para transmitir pelos canais convencionais a não ser paradigmas. Todos (canais convencionais, paradigmas, espectadores) mostram sinais de obsolescência. É duro ter certeza de que chegamos no fundo do poço. Essa certeza foi confirmada pela campanha eleitoral que se encerra. Não houve investimento e a campanha foi pobre, tanto em criatividade quanto em espírito. A maioria dos episódios exibidos desta novela ridícula teve o mesmo roteiro: ou ia do limite do ridículo ou ia a credibilidade derivada. Resultado: a maioria dos que disputam a reeleição vai se manter folgadamente no cargo. Já pelo lado técnico, quem teve esperança que o setor desse uma mexida com a injeção de verba, nadou muito para morrer afogado na beira da praia. Vamos continuar no estado em que estamos, assistindo as batatadas do Estado a que chegamos pela via do voto. Está na hora da motivação dar as caras. A eleição é domingo e temos que ter certeza que este será o primeiro passo para tudo sair do fundo do poço. Nota do Editor: Luiz Sergio Lindenberg Nacinovic é jornalista.
|