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A tecnologia da informação e a globalização obrigam os executivos a mudar. Essas duas forças transformam tudo. Gary Hamel, um dos maiores estrategistas de negócios, afirma que em nenhuma outra época o mundo tratou os revolucionários de forma tão amistosa e o establishment de forma tão hostil. Penso que isso vale tanto para indivíduos quanto para empresas. Companhias como Hewlett-Packard, 3M, Johnson & Johnson e Pepsi mantêm o sucesso porque são descentralizadas, mais empreendedoras e estão mais dispostas a correr o risco de um fracasso ou de algum embaraço. Note que a descentralização dessas empresas é radical, enquanto na maioria a descentralização ocorre só no papel e isso não adianta. A descentralização autêntica permite que as companhias sempre tenham alguém experimentando algo novo e interessante. Para mim o que de fato foi feito para durar, foi feito para destruir-se e reinventar-se, sempre. A base da resistência de uma empresa ao choque está em seu apetite pelo crescimento. O mesmo vale para pessoas. Não existe a menor dúvida de que Peter Drucker seja o guru dos gurus. E a mágica de Drucker é que aos 90 e tantos anos sua mente é tão ativa quanto aos 30, porque ele continua experimentando coisas novas com uma sede eterna de tentar algo diferente. Uma criança, entre quatro e cinco anos de idade, sempre tenta algo novo, não tem medo de nada. O bom professor incentiva esse comportamento, criando na sala de aula um ambiente que recompensa o destemor, em que é normal experimentar coisas novas e ter o apoio de todos. Temos muito a aprender com os bons professores do ensino básico, assim como com os treinadores de atletas de nível olímpico. O líder do ranking do tênis, por exemplo, não pode usar na próxima partida mesma técnica adotada na última, porque ela já foi absorvida pelos adversários. É necessário algum truque novo. A essência dos grandes treinadores é exigir que os atletas aprendam truques novos constantemente e apoiá-los nisso. O não-chefe faz as coisas sozinho, por conta própria é o responsável por tudo. O chefe coordena as idéias, a energia e a paixão, seja de quatro ou cinco pessoas ou, no caso do presidente de uma nação, de milhões. Os executivos devem lembrar o que diz o poeta norte-americano Donald Paul: "A informação é a inimiga da inteligência". Ninguém fica mais inteligente por receber três quilos de relatórios detalhados. Não que haja algo de errado em colher informações, mas também é preciso dedicar-se a outras coisas, como entender o lado humano, expor-se a novas e abrangentes idéias. Europa Ocidental, América do Norte e também o establishment da América Latina temem o desenvolvimento da Ásia, graças aos empreendedores de lá. Um jovem de 20 e poucos anos com um bom diploma universitário e um currículo escolar mediano deve montar seu próprio negócio. É isso que vai ajudar a criar empregos em seu país. As pequenas empresas são o coração e alma do sucesso econômico de qualquer país. Devemos acender o maior número possível de fogueiras empreendedoras e rezar para que alguma se transforme numa Microsoft. Para sobreviver no novo mercado, o empreendedor precisa ter consciência de seu novo papel e inovar-se constantemente. É preciso destruir conceitos e cargos estagnados. Conforme o executivo Ralph Seferian, é preciso mudar as regras antes que alguém o faça. Nota do Editor: Tom Peters um dos mais solicitados palestrantes da atualidade, apontado pelo Los Angeles Times como o pai da empresa pós-moderna, escreveu os maiores best-sellers da história da administração, como In Search of Excellence, Thriving on Chaos, traduzidos para 20 idiomas, participará da Expo Management World, que acontece de 8 a 10 de novembro, no Hotel Transamérica, em São Paulo (SP). Informações (0**11) 4689-6666.
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