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"Toda unanimidade é burra". (Nelson Rodrigues)
Um dos filmes mais badalados pelas esquerdas foi o documentário FARENHEIT 9/11, do cineasta estadunidense Michael Moore onde o mesmo, literalmente senta o sarrafo no atual presidente dos USA. Inclusive, na convenção do Partido Democrata, Moore declarou que o seu Oscar será conseguir que o atual presidente não consiga se reeleger. Em outras palavras, o tão ufanado documentário nada mais é que um filminho manipulado com pretensões político-partidárias, estilo daqueles prefeitos que gostam de depreciar o trabalho de seu antecessor e demonstrar o quanto que eles são supostamente bons e superiores, a última bolachinha do pacote, como diz a gurizada. Mas o filme rodou pelo mundo afora e, inclusive, na ilha de Cuba, na comunista Castrolandia. Pensou Fidel que seria um prato cheio para ele apresentar aquele documentário para o povo cubano para assim alimentar mais ainda o ódio na população o que, alias, ele já vem a quatro décadas fazendo e nós, por aqui, imitando de maneira pouco criativa. Todavia, o feitiço virou contra o bruxo da foice e do martelo. Após a exibição, o povo cubano ao invés de ter ficado mais colérico com os USA, ao invés de saírem da exibição praguejando contra o maldito imperialismo yanque, saíram sim, perplexos, com muitas interrogações em suas cabeças. Os cubanos ficaram perplexos com o fato de uma pessoa como Michael Moore ter feito um documentário sentando o cacete no seu governante e nada lhe acontecer como é comum em sua pátria, a ensolarada Cuba. E mais! O que deixava os cubanos bobos é saber que além de não ter acontecido nada com Moore, ele estaria ganhando milhões de dólares por ter simplesmente sentado a pua no presidente do "Monstro" (maneira amistosa que Fidel costuma se referir aos USA), como nos lembra Percival Puggina no seu site: www.puggina.org. E mais! Lendo essa semana a coluna do filósofo Olavo de Carvalho, sob o título: BEBA, SENHOR PRESIDENTE (www.parlata.com.br), onde o mesmo afirma ao senhor Presidente Luiz Inácio da Silva que: "Sua política econômica criou menos empregos para seus compatriotas do que o governo dos EUA criou para os iraquianos. Seus programas sociais fizeram menos pelos brasileiros pobres do que os americanos fizeram pela melhoria das condições sociais num país inimigo. Contra o crime e a violência, suas vitórias são nulas, sobretudo se comparadas às dos americanos no Iraque. Hoje em dia é mais seguro andar pelas ruas de Bagdá do que no Rio de Janeiro, em São Paulo ou no Recife, pertinho da cidade natal do nosso presidente". Bem, fome que eu saiba não se combate com discurso bonitinho, quem o diga... Observação mais interessante foi a que se encontrava no site do jornalista Diego Casagrande (www.diegocasagrande.com.br), onde no espaço reservado para os leitores, o senhor Pedro Goulart de Andrade Filho, diz: "Desafio a imprensa a convocar Lula para uma coletiva nacional, com muito alarde, para que este ’valentão’ explique quais as razões do Foro de São Paulo! Só esta pergunta, nada mais! Vamos ver quem é o covarde nesta história!" Alias, amigo, você sabe o que é o FORO DE SÃO PAULO, organização a qual foi fundada no início da década de 1990 e que até hoje é presidida pelo senhor Luiz Inácio da Silva juntamente com Fidel Castro? No mesmo web site, encontramos uma matéria que nos aponta para o fato de que o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez duras críticas aos setores da imprensa que vêm relativizando e amenizando o terrorismo. [...] Ele atacou ainda a imprensa estrangeira, que não classificou os tchetchenos que invadiram a escola como terroristas ou assassinos, preferindo os eufemismos "rebeldes" e "militantes". Ué, até a pouco não eram os gringos os grande bandidos da história e os assim denominados terroristas não eram os heróis da resistência? Alias, eu pergunto a você meu caro: você já tinha parado e refletido sobre esses pontos? Ou você é daqueles que acredita que o que todo mundo pensa e diz é a verdade nua e deslavada? Bem, é só nos dias de hoje que a unanimidade é sapiente.
Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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