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"O mundo político do Brasil é a imagem da fauna brasileira: não tem gigantes". (Humberto de Campos)
O atual Governo Federal está sendo alvo de inúmeras críticas pelo fato de estar utilizando a sua posição enquanto tal para assim pressionar o seu eleitorado a votarem em seus candidatos a Prefeito pelo Brasil afora. Bom se fosse apenas a carriola petista que recorre-se a este ardil satânico, mas, por toda parte que voltamos nossos olhos lá estão os Deputados Federais e Estaduais a arrebanharem com os seus espetáculos pagos com o nosso dinheiro, usando como argumento que estando o seu candidato eleito, ele ajudará a enviar mais recursos para os municípios. Ops.! Será que não há algo de profundamente errado nesse trololó todo? Será que os inábeis que nos representam nos Paços e nas Câmaras Municipais não percebem o grande avesso que aí se apresenta? A verba que o mequetrefe promete enviar para o município nada mais é que uma insignificante fatia do bolo tributário que é arrecadado no próprio município. Aproximadamente, de todo o bolo tributado sob o nosso trabalho, que vara os 40% do PIB, aproximadamente 67,83% ficam nas garras do Governo Federal; 27,84% nas patas dos Governos Estaduais e, apenas 4,33% nas unhas dos Governos Municipais. Seria o mesmo que um pai que ganha R$ 1.000,00 mensais e entrega R$ 678,30 para sua esposa, R$ 278,40 para seu filho playboy e fica-se apenas com R$ 43,30 para si e, de vez em sempre tivesse que se humilhar para ambos para poder ter uma ajudinha financeira. Os vereadores de todas as cidades, e com toda razão, argumentarão que esse é o jogo sujo que impera em nossa nação e que se eles não se fizerem de João sem Braço acabam não conseguindo fazer nada pelo município. Confesso que compreendo a situação, visto que, o centralismo do poder em nossa pátria é algo que vem a nos vilipendiar desde os tempos de Tomé de Souza, como bem nos explica a obra OS DONOS DO PODER do finado Raymundo Faoro. Todavia, não os aprovo por uma questão bem simples. Um povo não tem o governo que merece, mas sim o governo que necessita e, deste modo, se até os dias de hoje vivemos nesse centralismo e nesse pseudofederalismo é porque assim a nossa classe dirigente o quer em suas mais variadas estâncias. Não? Estou sendo duro demais? Então senhores vereadores de toda nação, por que não entram com um grande manifesto como fizeram quando se sentiram lesados pela lei votada no Congresso Nacional que reduzia o número de cadeiras nas Câmaras Municipais? Talvez porque a massa ignara representada por aparvalhados como esses goste dos espetáculos e paparicar tiranetes disfarçados de democratas e fingir que está colaborando com o progresso da nação sem perceber que esse é um dos gargalos de nosso atraso. Mas continuemos nos iludindo! Não iremos resolver problema algum, mas, pelo menos, de tempos em tempos teremos festejos demagógicos por todos os rincões deste acampamento de refugiados chamado Brasil, para alegria geral da nação e para a morte da razão.
Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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