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O câncer de mama sempre foi e ainda é uma das doenças mais temidas pelas mulheres pelo fato de afetar imensamente a feminilidade e de atingir índices cada vez maiores de incidência em todo o mundo, segundo estatísticas oficiais divulgadas nos últimos anos. Os números demonstram que esse é o tumor maligno mais freqüente entre a população feminina, perdendo apenas para o de colo de útero. Pelo menos uma em cada dez mulheres terá câncer de mama esse ano, segundo estimativas do INCA (Instituto Nacional do Câncer, com sede no Rio de Janeiro). Este risco de desenvolvimento pode aumentar com a apresentação de outros fatores que interagem entre si para deflagrar a doença como, história familiar de câncer de mama (mãe, irmãs, filha ou avó com a doença), ausência de gravidez, pacientes que foram submetidas a biópsia mamária por lesões pré-malignas ou as que já tiveram o diagnóstico em uma das mamas. Apesar destes fatores, não há como prever o desenvolvimento ou não do câncer de mama em alguém. Nesse contexto em que a doença não pode ser evitada, mas sim prevenida e curada se diagnosticada em fase precoce, é de extrema importância o conhecimento e a utilização das ferramentas de prevenção, como os exames que podem auxiliar na detecção da doença. Toda mulher deve consultar o ginecologista pelo menos uma vez por ano, para a realização dos exames de papanicolau e o de palpação das mamas, mesmo que ela faça o auto-exame dos seios mensalmente em casa. Até mesmo o Ministério da Saúde está lançando uma campanha de conscientização ao público feminino em não só entender a importância do exame de toque, como para priorizar o exame clínico e a mamografia como as melhores formas de prevenir o câncer nesse órgão, o que mais mata as mulheres brasileiras. Sem dúvida, a mamografia ainda é o melhor método para se diagnosticar o câncer de mama em uma fase inicial, (antes que ele se dissemine para outros órgãos). Nesse estágio, em que o tumor habitualmente se encontra com menos de um centímetro, as chances de cura são da ordem de 90%. Todos os órgãos de saúde do mundo alertam o público feminino para a realização periódica da mamografia a partir dos 35 anos de idade. Caso o primeiro exame não apresente qualquer alteração, a orientação médica é de realizar uma mamografia por ano ou a cada dois anos. Não é necessário se preocupar com a dose de radiação recebida durante o exame porque ela é desprezível se não for feito freqüentemente e, além disso, os tumores nas pacientes mais jovens costumam ser muito agressivos, portanto o diagnóstico precoce é, na maioria das vezes, a diferença entre viver ou morrer da doença. É importante salientar que essas orientações devem ser seguidas de forma personalizada e determinada pelo profissional que conduz a paciente baseado no seu exame clínico e na presença ou não de fatores de risco. O que é a mamografia? A grosso modo, a mamografia, também chamada de senografia e mastografia, nada mais é do que uma radiografia simples das mamas. Um exame de alta sensibilidade, com um índice de falso negativo de aproximadamente 10 a 15% e considerado por muitos profissionais o procedimento mais importante para o rastreamento do câncer de mama. Nos casos de falso negativo, ou seja, quando existe a doença, mas o exame não o detecta, pode se usar outros métodos com outras definições para se chegar ao diagnóstico, como por exemplo, a Ressonância Magnética entre outros exames pertinentes. A sensibilidade da mamografia está diretamente relacionada à idade da mulher: sendo maior nas pessoas que já amamentaram ou estão na menopausa, porque nesses casos há maior acúmulo de gordura no tecido mamário, facilitando a leitura do resultado, e menor nas pacientes jovens que possuem as mamas mais densas, (displásicas), dificultando a análise final. A sensibilidade menor e a exposição à radiação ionizante desnecessária reforçam a orientação médica de que a mamografia só deve ser feita em mulheres muito jovens fora da população de risco a cada dois anos. Para a realização do exame é usado um equipamento de raios-x especialmente projetado para essa finalidade, chamado mamógrafo. A paciente deve tirar a roupa da cintura para cima e se posicionar no aparelho para a realização de duas ou mais radiografias de cada mama, procedimento que leva mais ou menos 15 minutos. Os seios devem ser comprimidos para que fiquem com uma espessura mais uniforme. Apesar de causar algum desconforto, essa compressão é importante, pois proporciona resultados mais claros e detalhados. Nos programas de rastreamento, o exame é proposto apenas para mulheres acima dos 50 anos de idade, já que é bastante efetivo para tal faixa etária, o que favorece a relação custo/benefício. Os equipamentos existentes hoje especialmente projetados para este fim podem descobrir lesões milimétricas de muito baixo contraste, até dois anos antes que possam ser detectadas por meio da palpação. A divulgação entre as mulheres da necessidade de se fazer mamografia nos últimos anos é uma realização médica significativa e considerada uma das que mais previram e detectaram precocemente o tumor de mama, só perdendo para o auto exame mensal feito pela própria mulher, em casa. Nos últimos 25 anos muito se fez para aperfeiçoar cada vez mais esse método tão precioso de detecção precoce de câncer da mama. O que nunca pode faltar, e temos que estar atentos a isto, é a constante divulgação por todos os meios de comunicação disponíveis, dos benefícios da mamografia na detecção precoce do câncer de mama e a difusão do seu uso para todas as mulheres de todos os níveis sociais em qualquer lugar do mundo. Os relatórios da Sociedade Americana do Câncer mostraram que o diagnóstico através da mamografia pode reduzir a taxa de mortalidade em 31%, índice que pode ser considerado fantástico no contexto de uma doença fatal e com alta incidência como o câncer de mama. Nota do Editor: Drª Alice Rosante Garcia é médica especializada em oncologia clínica e atua na clínica Oncocamp, de Campinas, SP.
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