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Eu esperava qualquer coisa da parte deste governo que aí está, mas o que jamais havia me passado pela cabeça (e que mesmo assim não me surpreende) é que eles viessem a aliar-se com Antônio Carlos Magalhães, o "Toninho Malvadeza". Esse patriarca da Bahia anunciou que logo que passem as eleições municipais, ele se reunirá com dissidentes do PFL e de outros partidos fisiológicos para formar um partido novo que servirá de base de apoio para o governo Lula. Para muitos isso pode parecer uma surpresa, algo sem lógica, mas não. Por mais incompreensível que venha parecer, petistas e figuras como ACM tem mais coisas em comum que muitas almas possam imaginar. Talvez isso venha acontecer por uma questão bem simples. As pessoas voltam suas vistas para o cenário político brasileiro através de conceitos estáticos e monolíticos de esquerda, direita, centro, centro-esquerda e assim por diante. Todavia, não pára para analisar um ponto nevrálgico que está além da mera classificação dos partidos políticos e se encontra na análise das propostas defendidas pelas pessoas que compõem estes quadros e principalmente a sua compreensão do papel do Estado frente a sociedade. Quando passamos a olhar por esse prisma, encontramos coisas tão similares entre grupos tão distintos ideologicamente que até parece-nos, muitas vezes, que não estamos falando de antagonistas políticos. Destes pontos, destaco apenas um que julgo fundamental e que, por sua deixa é desdenhado e em muitas ocasiões combatidos e apenas defendido com ares retóricos quando assim parecer conveniente. Tal ponto nada mais é que o nível de intervenção do Poder Público na sociedade. Quando se fala sobre esse aspecto, não estamos apenas nos referindo ao Governo Federal, mas aos milhares de Governos Municipais onde a ingerência do Poder Público se torna claramente visível e mesmo a proximidade das mais variadas supostas agremiações partidárias que servem apenas como um meio para se chegar a posse da "vaca de divinas tetas". Não só seria interessante como basilar que todos os cidadãos brasileiros parassem por um instante para pensar sobre essa questão e pensar com muita seriedade, pois entra ano e sai ano, lá temos grupos variados a tomar o patrimônio público para fazer uso desse ao seu bel prazer cultivando o nepotismo, o empreguismo improdutivo de um modo geral, o tráfico de influência, as licitações fraudulentas beneficiando os seus pares, as obras superfaturadas, o populismo, o assistencialismo e todos juntos, a vilipendiar o erário nosso e principalmente, a degradar a sociedade em seus valores, a nossa alma. Mudemos nosso olhar e meditemos sobre a meleca que está diante de nossos narizes, pois, nunca é tarde demais, para se restabelecer a nossa dignidade e refletirmos sobre a ordem das coisas.
Nota do Editor: Dartagnan da Silva Zanela é professor e ensaísta. Autor dos livros: Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos - ensaios sociológicos; mantém o site Falsum committit, qui verum tacet.
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