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Medicina e Saúde
13/10/2004 - 06h17
Dicas para o controle da obesidade infanto-juvenil
 
 
17 dicas para ajudar seu filho a controlar a obesidade.

Em uma sociedade cujo substrato é a estética, em nenhum outro tempo o jovem foi tão pressionado para a busca da perfeição; mas independentemente das questões estéticas, um problema maior e mais abrangente se propaga: a obesidade infantil.

"A obesidade é um distúrbio que pode se tornar o principal problema do século 21 e a primeira causa de doenças crônicas do mundo, pois ela induz à várias anormalidades do metabolismo que contribuem para as doenças cardiovasculares, do colesterol, diabetes mellitus e outras", afirma a médica especialista em Clínica Médica Drª Sheyla Santos Quelle Alonso.

Segundo ela, a obesidade no Brasil cresceu 240% nos últimos 20 anos e está acometendo cada vez mais crianças e adolescentes. "São cerca de 6,7 milhões de crianças e adolescentes obesos no País, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Inclusive a incidência de obesidade mórbida está levando jovens à mesa de cirurgia em uma tentativa radical de emagrecer e regredir as complicações", relata.

Ainda não se conhece claramente a etiologia do excesso de peso, mas sabe-se que estes fatores podem ser classificados em genéticos, metabólicos, nutricionais e psicossociais. Eles parecem interagir, levando a um balanço calórico positivo e predispondo o excesso de peso.

De acordo com a Drª Sheyla, o fator de risco mais importante para o aparecimento da obesidade na criança é a presença de obesidade em seus pais, pela soma da influência genética e do ambiente. "As crianças com os dois pais obesos têm 80% de chance de se tornarem obesas e se apenas um dos pais for obeso, ele terá 40% de chance", adverte.

A obesidade tende a persistir na vida adulta. Cerca de 50% de crianças obesas aos seis meses de idade e 80% das crianças obesas aos cinco anos de idade permanecerão obesas quando adultas.

Em relação ao grupo étnico, a obesidade é mais prevalente nas raças hispânicas, afro-americanas e particularmente em meninas. A criança não precisa necessariamente ingerir grandes quantidades de comida para ganhar peso, muitos alimentos que elas gostam contêm alto valor calórico.

"As condições de vida que levam à obesidade nas sociedades desenvolvidas estão atuando também nos países em desenvolvimento como o Brasil, aumentando sua prevalência especialmente nas regiões mais ricas, como as regiões sul e sudeste", analisa a especialista.

Drª Sheyla tem notado a dificuldade que os pais têm tido para lidar com a situação. Não existem muitas opções terapêuticas disponíveis para os adolescentes obesos. Há poucos programas elaborados especialmente para adolescentes, poucos profissionais experientes nesse tipo tratamento, e o uso de medicamentos ainda é muito limitado.

Para auxiliar na prevenção da obesidade infanto-juvenil, a especialista enumerou algumas dicas para os pais orientarem seus filhos:

1) Alguns pais não se conscientizam de si mesmos e de sua situação de peso e não conseguem analisar o do filho. Observe o seu comportamento e o de seu filho em relação à alimentação;

2) Fixe os horários das refeições, pois a prática ensina disciplina às crianças e evita o consumo de lanches e guloseimas fora de hora: Já dissemos que o ideal são 6 refeições diárias e evitar as beliscadas fora desses horários;

3) Não imponha dietas restritivas, principalmente nas crianças menores. Em fase de crescimento, o caminho é a reeducação alimentar: comer de tudo um pouco (alimentos saudáveis) e em quantidades adequadas;

4) Ignore o velho hábito de fazer o filho raspar o prato. Isso costuma provocar a perda da saciedade na criança, ou seja, ela deixa de ter o próprio limite de saturação;

5) Evitar muitas brincadeiras na mesa: hora de comer é hora de seriedade, evitar fazer aviãozinho. Muito mimo é sinônimo de muita manha;

6) Não ceder ao primeiro "não gosto disso": a criança tem uma tendência a dizer que não gosta de uma comida que ainda não provou. Cada um pode comer o que quiser, mas pelo menos, experimentar não custa nada;

7) Substituir refeições: não quer arroz e feijão, então toma uma mamadeira. Esse erro é muito comum, e se a criança conseguir uma vez, vai repetir essa estratégia sempre;

8) Não faça da comida uma forma de recompensa ou moeda de troca. Exemplo: oferecer um sorvete se o filho se sair bem na escola ou comer toda a salada. "Coma toda a sopa para ganhar a sobremesa". Passa a idéia de que tomar sopa não é bom e que a sobremesa é que é o máximo;

9) Não ameaçar castigos para quem não cumpre o combinado: "Se não comer a salada, não vai ganhar presente". Isso somente vai aumentar o ódio que a criança sente das saladas;

10) Não subestime o poder de compreensão dos pequenos. Negar uma guloseima pode virar um "drama" para eles, mas só no início. A criança sem limites vai abusar das calorias e das guloseimas. Mesmo os adolescentes devem ser incentivados a ter apenas um dia por semana e situações em que podem ser mais liberais;

11) Evitar tornar a ida a uma lanchonete um "programão": a comida de casa fica meio sem graça;

12) Servir sempre a mesma comida: a criança só toma iogurte, então passa o dia todo tomando iogurte. Vai enjoar, vão faltar nutrientes, vão faltar fibras;

13) O processo de reeducação alimentar costuma ser mais longo em crianças. Não tenha pressa. O ideal é começar retirando aos poucos os alimentos que engordam;

14) Incentive seus filhos a praticarem esportes ou atividades físicas. Dê preferência principalmente as modalidades individuais no início, porque evitam alguns constrangimentos, como gozações e piadinhas dos colegas, além da pressão para um bom desempenho;

15) Procurar conforme a disponibilidade, ajuda de profissionais multidisciplinares como: médico, nutricionista, psicólogo e orientador de atividades físicas;

16) Toda a família deve apoiar e auxiliar no seu tratamento, evitando insistir no preparo de alimentos inadequados e não ridicularizando suas atitudes e esforços;

17) Dar o exemplo: as crianças e muitas vezes ainda os adolescentes seguem os exemplos e os hábitos dos pais. Não adianta mandar tomar sucos e somente beber refrigerantes. Orientar dietas e atitudes saudáveis e fazer diferente disso;

Aos pais, que sirvam de bons exemplos para os filhos! Esta é uma herança que não depende da sociedade, mas do equilíbrio e do bom-senso. Que a família assuma seu papel de grande educadora em meio propício ao desenvolvimento da mente, moral e corpo saudáveis.

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