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O conservadorismo financeiro não é simplesmente uma concepção de outrora, menos inclinada ao crédito. Parece ser uma condição eficaz para empresas que almejam a longevidade. O crescimento com empréstimo de dinheiro, fusões e aquisições é perigoso. Em algum ponto o pêndulo se deslocará. Tendo que atender a dívida, perdem-se as opções que provinham do dinheiro extra. Dinheiro na mão significa flexibilidade e independência de ação, quando os concorrentes não as têm. Negócios construídos organicamente facilitam o aproveitamento de oportunidades sem a necessidade de convencer financiadores externos sobre os atrativos das decisões. Desta maneira, o conservadorismo financeiro serve para manter a velocidade da evolução da empresa. A vida do homem de negócios é cheia de tentações e a mais irresistível é provavelmente a paciência. Com freqüência podemos promover um crescimento rápido, com resultados de curto prazo impactantes - a custa da saúde de longo prazo da empresa. Apostamos, mas os bons homens de negócios não são apostadores. O conservadorismo financeiro evita a tentação de apostar. Quem gerencia o dinheiro da organização sabe quão virtuoso pode ser o conservadorismo nas finanças. Por que, então, tantos managers têm dificuldade de colocá-lo em prática? A dificuldade começa com a definição do êxito corporativo. O dinheiro cumpre papel importante na sobrevivência e evolução da empresa. Com dinheiro, é possível adquirir recursos que permitirão evoluir com rapidez. Para muitos a companhia de sucesso é a que ganha mais dinheiro que os concorrentes. O êxito dos empreendedores é, geralmente, medido pela quantidade de dinheiro que podem produzir - seja pela medida das receitas dos negócios ou pela quantidade que podem retornar para os donos da empresa. O dinheiro pode fazer parte no governo da evolução da empresa? Dinheiro demais pode gerar crescimento e desenvolvimento rápidos? Deixando pouco dinheiro na empresa, por ter retirado muito para seus membros individuais, podem se ver reduzidas às probabilidades de sobrevivência dessa companhia? Muitos concordam com a última declaração: a distribuição desequilibrada do dinheiro pode ameaçar a viabilidade futura de uma empresa. Mesmo que consigam sobreviver dificilmente se manterão com o tipo de entidade que almejavam ser. A natureza do dinheiro é mal entendida. Toda entidade viva consome e dinheiro serve, principalmente na grande corporação, para medir o que foi consumido. Como resultado, quando gerenciadas adequadamente as finanças de uma empresa se transformam no governo do crescimento e evolução de uma companhia viva. A palavra governo, em sua acepção puramente política, indica um chefe de estado ou diretor autoritário. As finanças de uma empresa são um governo, pois atuam como reguladoras. Pedir emprestado para financiar a realização é uma tentação quase irresistível porque permite aos fundadores manter o controle da empresa. Esta parece à forma sensata de construir um negócio: deixar que o banco entregue o dinheiro, pagar a dívida em forma de juros e manter o acúmulo de valor dentro do círculo interno de fundadores e iniciadores. Em contrapartida, com dinheiro emprestado há um limite muito mais amplo para que uma empresa consiga mais em seus primeiros tempos. Nota do Editor: Arie de Geus é um dos mais requisitados palestrantes de management da atualidade, escreveu o mundialmente aclamado A empresa viva: como as organizações podem aprender a prosperar e se perpetuar, foi executivo do Royal Dutch/Shell Group por 38 anos em três continentes - atuou inclusive no Brasil -, chegando a assumir a presidência em algumas regiões. Participará da Expo Management World, que acontecerá de 8 a 10 de novembro em São Paulo/SP. Outras informações: (0**11) 4689-6666.
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